Para entender o que é e a importância da COP, a conferência sobre mudanças climáticas da ONU, basta olhar para o tamanho e abrangência do encontro: todos os anos, chefes de Estado, ministros e diplomatas de quase 200 países se reúnem durante duas semanas, sempre em novembro, para negociar acordos sobre o aquecimento global e suas consequências.
A importância das decisões em discussão atrai jornalistas de todo o mundo, além de ativistas, cientistas, organizações ambientais e empresas.
Enquanto os governos discutem novos compromissos, representantes de diferentes setores acompanham os debates e procuram chamar atenção para suas propostas e reivindicações.
A próxima edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, conhecida como COP, será realizada de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antalya, na Turquia, com uma divisão de responsabilidades entre o país anfitrião e a Austrália.
Por que o encontro se chama COP?
A sigla COP vem do inglês Conference of the Parties, ou Conferência das Partes. É o principal órgão de decisão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
A convenção foi adotada em 1992, durante o período da Rio-92, entrou em vigor em 1994 e teve sua primeira conferência no ano seguinte, em Berlim.
Desde então, os países participantes se reúnem todos os anos para avaliar o que foi feito e negociar novas medidas contra a mudança climática.
O site oficial da Convenção do Clima da ONU explica a estrutura e as atribuições da COP.
Por que a Austrália também terá um papel importante na COP31?
Embora a conferência aconteça na Turquia, a Austrália ficará encarregada de presidir as negociações entre os países.
O acordo foi fechado durante a COP30, realizada em Belém, em 2025, depois de os dois países disputarem a sede do encontro.
A Turquia terá a presidência da COP31 e será responsável pela organização da conferência.
Já a Austrália, representada pelo ministro de Mudança Climática e Energia, Chris Bowen, ficará à frente das negociações, coordenando as discussões e tentando construir acordos entre os governos.
O entendimento também prevê maior participação dos países insulares do Pacífico, especialmente ameaçados pela elevação do nível do mar e por outros efeitos da mudança climática.
Quem participa da COP e por que ela atrai tanta atenção da mídia?
Praticamente todos os países do mundo fazem parte da Convenção do Clima e enviam representantes às conferências. São os governos, chamados oficialmente de Partes, que negociam e aprovam as decisões.
Além das delegações oficiais, participam organizações internacionais, cientistas, representantes de empresas, ONGs, povos indígenas e movimentos sociais.
A presença de líderes mundiais e a possibilidade de acordos importantes atraem jornalistas de todo o planeta. Durante as conferências, repórteres acompanham as negociações, entrevistam autoridades e verificam se os compromissos anunciados pelos governos estão sendo cumpridos.
A atenção da imprensa também leva organizações ambientalistas, movimentos sociais e empresas a promover debates, campanhas, manifestações e anúncios durante o evento.
Com isso, as COPs acabam se tornando também uma oportunidade para que diferentes grupos apresentem suas posições sobre a mudança climática e tentem influenciar a opinião pública.
Como funcionam as negociações?
As discussões começam meses antes da conferência, em reuniões técnicas e preparatórias. Durante a COP, representantes dos governos negociam propostas e documentos, que podem sofrer alterações até os últimos momentos.
As decisões são tomadas, na prática, por consenso, o que exige conciliar interesses muitas vezes divergentes.
Por isso, algumas negociações se estendem por dias e podem ultrapassar a data prevista para o encerramento da conferência.
COP, CMA e CMP: qual é a diferença?
Embora o encontro seja conhecido genericamente como COP, ele reúne três instâncias de decisão.
A COP reúne os países participantes da Convenção do Clima de 1992. A CMP reúne as partes do Protocolo de Kyoto, adotado em 1997. Já a CMA é responsável pelas decisões relacionadas ao Acordo de Paris, aprovado em 2015.
Na conferência deste ano, essas reuniões acontecerão simultaneamente, com as denominações oficiais COP31, CMA8 e CMP21.
O que pode ser decidido em uma COP?
Os governos podem aprovar decisões sobre redução de emissões de gases de efeito estufa, financiamento climático, medidas de adaptação, perdas e danos causados pela mudança climática e regras de cooperação internacional.
As conferências também podem resultar em acordos importantes. O exemplo mais conhecido é o Acordo de Paris, aprovado em 2015, que estabeleceu o objetivo de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C e buscar limitá-lo a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais.
Mas nem tudo o que é anunciado durante uma COP se transforma automaticamente em obrigação legal ou política pública. A aplicação de grande parte dos compromissos depende das medidas adotadas por cada país.
Essa diferença entre o que os governos prometem e o que realmente fazem é uma das principais questões acompanhadas pela imprensa e pelas organizações ambientais.






