A COP31, conferência do clima da ONU (Organização das Nações Unidas), será realizada entre 9 e 20 de novembro em Antalya, na Turquia, um ano depois da COP30, que reuniu representantes de quase todos os países do mundo em Belém, no Pará.
O encontro terá uma organização incomum: a Turquia será responsável pela presidência da conferência, enquanto a Austrália conduzirá as negociações entre os países.
O Brasil, que presidiu a COP30, continuará participando das articulações para transformar em medidas concretas os compromissos discutidos na Amazônia.
A presidência turca apresenta Antalya como a “COP da implementação”, defendendo que o momento é de colocar em prática os acordos climáticos já assumidos. Também utiliza a expressão “COP do Futuro” para identificar suas propostas.
Mas organizações ambientais alertam que a conferência não pode se limitar a novas promessas.
A Climate Action Network (CAN), rede internacional de organizações da sociedade civil, cobra decisões que acelerem a redução das emissões, garantam recursos aos países mais vulneráveis e apoiem a transição para economias menos dependentes dos combustíveis fósseis.
Onde será a COP3 e qual a agenda
A COP31 acontecerá na cidade de Antalya, um importante destino turístico do Mediterrâneo, no sul da Turquia.
A Cúpula de Líderes Mundiais está prevista para 11 e 12 de novembro, quando chefes de Estado e de governo deverão participar das discussões.
Além dos negociadores oficiais, a conferência reunirá empresas, organizações ambientais, pesquisadores, ativistas e jornalistas de diferentes países.
A programação inclui negociações sobre os compromissos climáticos internacionais e eventos paralelos voltados a soluções para reduzir as emissões e enfrentar os impactos do aquecimento global.
Por que a Turquia e a Austrália dividem a liderança da COP31?
A divisão de responsabilidades surgiu depois de uma disputa entre os dois países para sediar a conferência. O acordo foi fechado durante a COP30, em Belém.
A presidência formal ficará com o ministro turco do Meio Ambiente, Urbanização e Mudança Climática, Murat Kurum, responsável pela organização e pela agenda de ação da conferência.
O ministro australiano de Mudança Climática e Energia, Chris Bowen, terá a função de presidir as negociações, buscando acordos entre países com interesses econômicos e ambientais muitas vezes divergentes.

Segundo o governo australiano, essa organização também pretende dar maior participação aos países do Pacífico, particularmente vulneráveis à elevação do nível do mar e aos eventos climáticos extremos.
Entre 5 e 8 de outubro, representantes de mais de 50 países participaram de encontros preparatórios em Fiji e Tuvalu.
As reuniões deram visibilidade à situação das pequenas nações insulares e às suas reivindicações por financiamento e redução das emissões.
Ao final dos encontros, porém, a Climate Action Network avaliou que o reconhecimento da vulnerabilidade da região não foi acompanhado de compromissos suficientemente ambiciosos.
Qual será o papel do Brasil depois da COP30, em Belém?
O Brasil continuará tendo uma participação importante nas discussões preparatórias da COP31, mesmo sem ocupar a presidência da próxima conferência.
Segundo a ONU, as presidências brasileira e turca vêm trabalhando em conjunto para preparar as negociações, com reuniões entre ministros, negociadores e representantes da sociedade civil.
Uma das principais contribuições brasileiras será a elaboração de um roteiro para a transição para longe dos combustíveis fósseis, assunto que provocou divergências em Belém.
Na COP30, o Brasil defendeu que os países discutissem caminhos para reduzir a dependência de petróleo, gás e carvão. A proposta recebeu apoio de diversos governos, mas enfrentou resistência e não entrou no acordo final.
A presidência brasileira decidiu continuar trabalhando no documento, com a intenção de apresentá-lo em Antalya.
O roteiro não terá caráter obrigatório nem estabelecerá metas iguais para todos os países. A proposta é apontar caminhos possíveis para a transição energética, considerando as diferenças econômicas e o grau de dependência dos combustíveis fósseis.
Desmatamento global
O Brasil também trabalha em um segundo roteiro, destinado a orientar os esforços internacionais para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.
Segundo a presidência brasileira da COP30, os dois documentos estão entre as prioridades de trabalho de 2026, ao lado do financiamento climático, da adaptação e da aceleração das ações para cumprir o Acordo de Paris.
Assim, a participação brasileira em Antalya será também uma oportunidade de mostrar o que avançou desde Belém e quais compromissos ainda dependem de negociação.
O que estará em discussão na COP31?
Os temas centrais serão financiamento climático, adaptação às mudanças do clima, redução das emissões e transição energética.
- Financiamento climático: países em desenvolvimento defendem a ampliação dos recursos oferecidos pelos países ricos para financiar medidas de proteção contra secas, enchentes e outros eventos extremos, além de investimentos em energia limpa.
- Combustíveis fósseis: permanece a divergência sobre como transformar em ações o compromisso assumido na COP28, em Dubai, de promover uma transição para longe do petróleo, gás e carvão.
- Adaptação: países vulneráveis querem mais apoio para proteger populações, infraestrutura, agricultura e recursos naturais dos impactos climáticos que já estão ocorrendo.
- Transição justa: os negociadores deverão discutir mecanismos de apoio aos trabalhadores e comunidades afetados pelas mudanças nos setores de energia e produção.
A presidência turca também apresentou uma iniciativa para ampliar a participação da eletricidade no consumo mundial de energia, com incentivo ao uso de fontes de baixa emissão de carbono.
Organizações ambientais apoiam a expansão das energias limpas, mas questionam propostas que não estabeleçam medidas suficientemente claras para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
O impacto ambiental da tecnologia também entrou na agenda. A inteligência artificial será discutida na COP31, com uma proposta de compromisso internacional para enfrentar o crescimento do consumo de energia dos data centers.
O que as organizações ambientais esperam de Antalya?
Para a Climate Action Network, a COP31 precisará produzir resultados concretos em áreas nas quais as negociações continuam lentas.
Em uma manifestação publicada após os encontros de Fiji e Tuvalu, a organização apontou três prioridades: ampliar o financiamento para adaptação, avançar no mecanismo de transição justa discutido em Belém e estabelecer um programa confiável de financiamento climático.
A rede também defende que os governos apresentem medidas capazes de reduzir a distância entre as atuais políticas de combate às mudanças climáticas e a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
Outra preocupação é evitar que novas iniciativas de eletrificação sejam utilizadas para justificar a continuidade da expansão dos combustíveis fósseis.
A cobrança ganha peso porque os dois países à frente da conferência também enfrentam críticas por suas políticas energéticas.
A Austrália continua autorizando projetos de exploração de carvão e gás, enquanto a Turquia mantém uma forte dependência do carvão para gerar eletricidade.
Para organizações como a 350.org, a continuidade dos investimentos nessas fontes de energia contrasta com a defesa de uma transição global para uma economia de baixo carbono.
Direitos humanos e participação da sociedade civil
A realização da COP31 na Turquia também desperta preocupações sobre as condições de participação de ativistas e organizações não governamentais e de repressão severa à imprensa.
A Human Rights Watch criticou a prisão e a condenação da ativista ambiental Esra Işık, envolvida em protestos contra a expansão da mineração de carvão no país.
Segundo a organização, ela foi condenada, em julho de 2026, a dois anos e um mês de prisão, em um processo relacionado às manifestações. Seus advogados anunciaram que recorreriam.
Para a Human Rights Watch, o caso levanta dúvidas sobre a liberdade de manifestação durante a conferência.
A Anistia Internacional também vem defendendo garantias para a participação da sociedade civil e para a atuação dos defensores ambientais nas negociações climáticas.
Segundo a ONU, o acordo firmado com a Turquia para sediar a COP31 inclui disposições voltadas à proteção dos direitos humanos e à participação dos diferentes grupos envolvidos na conferência.
A Turquia ocupa a 163ª posição entre 180 países no ranking global de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras.
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