A desistência da Netflix de seguir negociando a compra da Warner Bros. Discovery, anunciada nesta quinta-feira (26) muda o rumo de uma disputa bilionária por um dos maiores conglomerados de mídia do mundo e fortalece ainda mais a influência de um dos principais aliados de Donald Trump.
O recuo da gigante do streaming veio depois de a Warner informar que considerou superior a proposta revisada feita pela Paramount Skydance, de US$ 31 por ação, totalmente em dinheiro, e abrir o prazo para que a Netflix igualasse os termos.
A conglomerado que deve sair como vencedor é dirigido por David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, co-fundador da Oracle e principal financiador da operação.
Os Ellison estão entre as figuras relevantes das indústrias de tecnologia e mídia que apoiaram a candidatura do atual presidente e que seguem publicamente ao lado dele até hoje, enquanto o outros, como Elon Musk, acabaram se afastando ou não exibem tanto seu alinhamento.
Netflix desiste da Warner após oferta superior da Paramount Skydance
A Warner Bros. Discovery reúne um pacote de marcas e franquias que vai de HBO/HBO Max e CNN a canais como Discovery, TLC, HGTV, TNT/TBS e Cartoon Network, além do estúdio Warner Bros. — dono de propriedades globais como Harry Potter e o universo DC (Batman, Superman).
A disputa vinha se arrastando havia meses e no início, parecia caminhar para um desfecho favorável à Netflix. A empresa havia firmado um acordo mas a Paramount entrou na briga em dezembro com ofertas subsequentes para seduzir os acionistas da Warner.
O novo capítulo veio esta semana, quando o conselho da Warner classificou como superior a oferta revisada da Paramount Skydance, de US$ 31 por ação, totalmente em dinheiro.
A Warner notificou a Netflix em 26 de fevereiro de que a oferta rival era considerada “superior”, o que acionou um prazo de quatro dias úteis para que a empresa igualasse os termos. A Netflix, porém, optou por não utilizar esse período para cobrir a proposta e confirmou a desistência.
Em comunicado, a plataforma afirmou que o negócio “deixou de fazer sentido financeiramente” após a proposta revisada, deixando a Paramount Skydance como a única proponente ativa na disputa.
Aliado de Trump ganha força com a saída da Netflix
O recuo da Netflix abriu caminho para que David Ellison avance como rosto visível da operação — mas a leitura política recai sobretudo sobre Larry Ellison, apontado como aliado de Trump e o pilar financeiro por trás da oferta.
Ao sair da mesa, a Netflix remove o principal obstáculo comercial imediato e desloca a disputa para o terreno regulatório, onde fatores técnicos e políticos podem pesar.
Há ainda um elemento editorial sensível: a compra da Warner pela Paramount Skydance inclui a rede CNN, um dos alvos mais frequentes da ira de Trump contra a imprensa que o critica.
Se a CNN for parar sob o mesmo guarda-chuva que já controla a CBS, cresce o debate no mercado sobre a possibilidade de um redirecionamento editorial — como críticos apontam ter ocorrido na CBS após a mudança de controle.
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Netflix desiste da Warner em meio a pressão política e disputa de preço
A Netflix parece ter brigado até o fim. Dias antes do anúncio, Ted Sarandos, co-CEO da plataforma de streaming, esteve na Casa Branca para reuniões com representantes do governo.
A visita teria dois objetivos: discutir o andamento da oferta pela Warner e lidar com o ambiente político que passou a cercar a operação.
Trump se manifestou publicamente no início sobre a disputa comercial, elevando a pressão em torno do negócio — embora também tenha afirmado que não pretendia interferir diretamente no processo. Nesse contexto, a Netflix pode ter constatado um custo adicional: além do preço, a incerteza política.
Próximos passos: a disputa regulatória após Netflix desistir da Warner
A vitória dos Ellison, porém, ainda não está concluída. Embora a desistência da Netflix tenha removido o principal obstáculo comercial, a fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery depende agora de uma série de aprovações regulatórias nos Estados Unidos e em outros mercados.
Órgãos antitruste avaliarão o impacto da operação sobre a concorrência no setor de mídia, especialmente considerando que o novo conglomerado reuniria estúdios de cinema, canais de TV, plataformas de streaming e veículos jornalísticos de grande alcance.
Nos EUA dificilmente haverá oposição, já que o órgão regulador opera de forma alinhada ao presidente do país. Mas analistas apontam que em outros mercados a compra pode ser questionada à luz de regulamentações locais.
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