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Repressão nos EUA

Jornalista colombiana detida em Nashville pelo ICE é libertada após 15 dias na cadeia

Estefany Rodríguez foi acusada de não comparecer a entrevistas de seu processo imigratório; advogados apontaram maus tratos na prisão

Estefany Rodríguez, jornalista dos EUA, segurando um microfone durante uma reportagem.

Estefany Rodríguez trabalha para o Nashville Noticias e para a rede hispânica Univision (foto: divulgação Nashville Noticias)




Depois de mais de duas semanas presa pela polícia imigratória e tendo passado cinco dias em uma solitária, a jornalista Estefany Rodríguez, repórter do Nashville Noticias e da rede Univision, foi libertada nesta quinta-feira (19) sob fiança de US$ 10 mil nos EUA.

Ela havia sido capturada no dia 4 de março por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement), sem mandado, sob alegação de  deixado de comparecer a audiências de seu processo de cidadania.

Formada em jornalismo na Colômbia, a repórter trabalhou por vários anos em meios de comunicação locais até emigrar para os EUA, onde deu entrada em um processo de asilo político por ter recebido ameaças em seu país natal, e de cidadania pelo casamento com um cidadão americano.

Quem é a jornalista presa

Rodríguez trabalha para o Nashville Noticias desde 2022, cobrindo questões sociais, familiares, de saúde, policiais e de imigração. O jornal é dedicado à comunidade hispânica, e garante que ela sempre teve documentos válidos para viver e trabalhar nos EUA. 

A prisão causou indignação internacional. Na terça-feira, antes da audiência que levou à soltura, uma coalizão de organizações de imprensa  incluindo a Associação Nacional de Jornalistas Hispânicos, o Comitê para a Proteção de Jornalistas, a Associação de Imprensa Estrangeira dos EUA e o National Press Club, apresentou uma moção em apoio aos seus direitos de liberdade de expressão como jornalista.

Após a libertação da jornalista, os advogados afirmaram que ela sofreu “tratamento desumano e difícil” enquanto estava sob custódia, incluindo ser forçada a se despir em um chuveiro enquanto um oficial “derramou algum tipo de líquido químico em sua cabeça, que parecia ser algo usado para limpar pisos e queimou seus olhos”, supostamente como um tratamento para piolhos, o que teria sido o motivo para o isolamento por cinco dias.

Como a jornalista foi presa pela polícia imigratória dos EUA

O jornal onde Estefany Rodríguez trabalha relatou que a jornalista estava com seu marido, Alejandro Medina , diante de uma academia de ginástica quando o carro em que viajavam (marcado com o logotipo de Nashville Noticias) foi cercado por diversos veículos. Vários homens desceram, algemaram e prenderam Rodríguez, sem apresentar um mandado de prisão.

Segundo o advogado de Estefany Rodríguez, o ICE afirmou que o motivo da prisão foi não comparecimento “deliberado” a duas entrevistas, o que sinalizaria um risco de fuga.

No entanto, segundo o advogado, a primeira entrevista aconteceria em janeiro, no dia em que Nashville foi atingida por uma forte tempestade de neve, tornando impossível comparecer.

O ICE enviou uma nova notificação de entrevista, reprogramando-a para 25 de fevereiro. Uma semana antes, o advogado e o marido da jornalista foram ao escritório da polícia imigratória para saber detalhes sobre a futura entrevista, mas o convite não foi encontrado no sistema. E funcionários do órgão teriam informado que ela deveria comparecer apenas em 17 de março.

O advogado afirmou que um agente  analisou as informações de Rodríguez e deu ao marido da jornalista uma folha de check-in com uma data de reunião futura em março.

Defesa argumenta que prisão viola dispositivo da Constituição

 Segundo o jornal, a equipe jurídica de Estefany apresentou uma petição ao Tribunal Federal argumentando que sua detenção viola a quarta emenda da Constituição dos EUA, por ter sido feita sem mandado de prisão e sem evidência de que haveria um risco de fuga.

No entanto, a advogada do governo questionou o direito de Rodríguez de se defender com base na Primeira Emenda devido ao seu status imigratório, não sendo cidadã do país.

O governo afirma que havia mandado de prisão, e também questiona a informação de que as audiências haviam sido adiadas, alegando que ela está no país com um visto de turista expirado.


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