Dois jornalistas comunitários foram baleados em apenas dois dias no México, engrossando as estatísticas de violência contra jornalistas no país apontado por organizações de liberdade de imprensa como o mais perigoso para o jornalismo fora de zonas de guerra em 2025.
Juan David Gámez, proprietário do site de notícias local Táctica SS, foi morto em 18 de março em García, no norte do estado de Nuevo León. De acordo com informações da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), ele foi atacado em sua moto perto de casa.
Game publicava regularmente informações sobre questões de segurança, corrupção, grupos de tráfico de drogas, incidentes rodoviários, violência urbana e operações policiais na região em seu site de notícias e em contas de mídia social.
De acordo com a agência de notícias mexicana Animal Político, as autoridades de Nuevo León informaram que a investigação está examinando ameaças de morte que o repórter recebeu.
Óscar Merino Ruiz, diretor do canal online local OM Noticias, está em estado crítico desde 16 de março. Ele foi baleado em Santiago Pinotepa Nacional, uma cidade na região costeira do estado de Oaxaca, no sul do país.
A Repórteres Sem Fronteiras informou que homens em uma motocicleta se aproximaram dele e abriram fogo enquanto ele caminhava na rua com sua esposa.
As autoridades abriram uma investigação sobre o crime, mas o motivo ainda não foi confirmado publicamente. O ataque pode ter sido uma represália pelo trabalho do jornalista, aponta a RSF, já que o OM Noticias cobre questões sensíveis de segurança local.
Violência contra jornalistas comunitários no México
“Os ataques aos jornalistas Juan David Gámez e Óscar Merino Ruiz em apenas 48 horas são um lembrete claro de que os profissionais de notícias que documentam as realidades em suas comunidades no México continuam a enfrentar riscos extremos”, disse Artur Romeu, diretor da RSF para a América Latina.
“As autoridades mexicanas devem investigar ambos os casos exaustivamente e sem dispensar prematuramente o trabalho em jornalismo das vítimas como um possível motivo”, cobrou, lembrando que a presidente Claudia Sheinbaum se comprometeu a fortalecer as proteções para a imprensa.
“Ela agora deve traduzir esses compromissos em ações concretas e garantir que os crimes contra aqueles que informam o público não fiquem impunes”, afirmou Romeu.
O México continua sendo um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas fora das zonas de guerra ativas. Em 2025, seis morreram. Jornalistas comunitários que cobrem questões de segurança, corrupção e crime organizado estão particularmente expostos à violência.
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