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IA Grok

Após Musk faltar a audiência, França eleva inquérito sobre abuso infantil no Grok a investigação criminal

Até então, autoridades francesas consideravam caso aberto contra a IA do X um “inquérito preliminar”

Elon Musk não se pronunciou oficialmente sobre processos envolvendo Grok e fotos pornográficas nos EUA Foto: James Duncan Davidson/Creative Commons

Elon Musk é dono da rede social X, que abriga o Grok, IA investigada pela França Foto: James Duncan Davidson/Creative Commons




A França elevou o inquérito sobre a criação de imagens sexualizadas pela IA Grok e outras alegações contra a rede social X, de Elon Musk, a uma investigação criminal.

A escalada acontece três semanas após o bilionário, que já xingou promotores franceses publicamente, não comparecer a uma audiência marcada em Paris. O convite não era mandatório, mas a ausência de Musk fez com que o processo seguisse sem as versões dele e de outros executivos do X.

Em um comunicado divulgado na quinta-feira (7), o Ministério Público de Paris disse que solicitou que os juízes de investigação acusassem a X.AI Holdings Corp, X Corp e X AI, bem como Musk e Linda Yaccarino, ex-CEO da plataforma “convocando-os para esse fim e reunindo seus comentários, ou, em caso de não conformidade, emitindo um mandado equivalente a uma acusação”

O que a investigação apura?

O principal crime pelo qual os promotores da França acusam o X de Musk é a cumplicidade na posse e disseminação de material de abuso sexual infantil. Isso acontece na esteira de outras investigações contra o Grok por produzir deepfakes pornográficos com os rostos de crianças e adolescentes na plataforma.

Além disso, eles também querem que a investigação criminal apure a negação de crimes contra a humanidade, como o Holocausto. Uma das acusações que abriu o inquérito parlamentar contra o X foi a de que a plataforma replicava argumentos falsos de que a Alemanha nazista não assassinou milhões de judeus na Segunda Guerra.

Por ultimo, a investigação criminal também analisa se o X interferiu em algoritmos dos franceses para favorecer politicamente opiniões pessoais de Musk e se houve coleta de dados de usuários por parte da plataforma.

Justiça convocou Musk para ser acusado, diz jornal

Ao contrário da primeira convocação, que era somente um convite para esclarecimentos, o novo chamado a Musk e Linda Yacarino acontece para oficializar as acusações preliminares contra ele.

De acordo com a imprensa francesa, o juiz pode, em um caso extremo, pedir a prisão de Musk para garantir que ele compareça à audiência.

A Justiça indicou oficialmente um juiz de instrução para o caso. Quando as acusações formais acontecerem, é o momento do juiz iniciar a coleta de provas, pedindo documentos, fazendo novas diligências e requisitando medidas cautelares.

Somente depois do processo de coleta de provas é que o juiz decide se o caso tem embasamento para seguir a um julgamento formal, ou se arquiva o caso.

Investigação criminal x Inquérito preliminar

Antes de virar um processo criminal, as investigações contra a rede social de Musk na França tinham status de “inquérito preliminar”.

Elas começaram em janeiro de 2025, quando duas denúncias diferentes apontaram para problemas nas plataformas. Uma delas foi do deputado centrista Eric Bothorel, do partido de Emmanuel Macron; a segunda foi de um servidor público especializado em crimes cibernéticos.

A princípio, o foco das denúncias era a manipulação do algoritmo para influenciar na política do país e o uso ilegal de dados pessoais dos usuários do X para propaganda. Pouco tempo depois, porém, os promotores adicionaram no campo das investigações o papel da ia Grok na manipulação de deepfakes sexuais.

Bilionário recusou convite da justiça francesa

Convidado para depor em 20 de abril, quando o caso ainda não era uma investigação criminal, Musk não compareceu à corte da França. A entrevista voluntária também abrangia outros executivos da rede social, incluindo a ex-CEO.

Sem citar diretamente o nome de ambos, promotores informaram à imprensa francesa que “registraram a ausência das primeiras pessoas convocadas”. Dias antes de esnobar a justiça, o bilionário havia chamado as autoridades francesas de “retardadas” em um post escrito em francês no X.

Os promotores do caso afirmaram que a recusa não implicaria em qualquer complicação legal para Musk e seus funcionários. Não há qualquer comprovação de que isso tenha motivado a classificação do caso como criminal.

A convocação para o depoimento aconteceu em fevereiro deste ano, no mesmo dia em que a polícia fez buscas na sede do X em Paris. Na ocasião, Musk não se pronunciou oficialmente, mas a conta de assuntos governamentais do X chamou o ato de “teatro policial com objetivos políticos”.

Investigação na UE e buscas no X

Ao mesmo tempo em que a França escalou o caso contra o X de Musk ao nível criminal, a União Europeia também protocolou uma investigação sobre a rede social, dessa vez, com foco no Grok. Em 26 de janeiro, o bloco abriu uma apuração para saber se a IA viola a Lei de Serviços Digitais da Europa.

O intuito da investigação era saber se a empresa identificou e mitigou os riscos da geração de imagens por parte do Grok.

De acordo com o comunicado divulgado pela UE, os riscos de disseminação de conteúdo sexualmente explícitos “parecem ter se materializado”.

Pouco tempo depois, o Reino Unido também abriu uma investigação no mesmo sentido. O órgão regulador Information Commissioner’s Office (ICO) anunciou que tinha “sérias preocupações” com a geração de imagens sexualizadas por parte da IA.

Grok e sexualização

Criado em 2023 pela xAI, de Elon Musk, após a compra do X (que até então se chamava Twitter), a IA é totalmente integrada à plataforma. Em suas novas versões, ele permite que usuários usem fotos como base para fazer outras imagens realistas de pessoas.

A IA já era problemática em 2023, mas a situação do Grok piorou em 2025, com uma nova ferramenta da plataforma.

Naquele ano, a empres lançou o Grok Imagine, ferramenta de criação de vídeos sem limites sobre os prompts dos usuários. Essa plataforma permitia que qualquer pessoa pedisse ao Grok vídeos ou fotos pornográficas.

Durante 11 dias em 2025, o Grok fez mais de 3 milhões de fotos sexualizadas, de acordo com o Centro de Combate ao Ódio Digital. Esse número inclui imagens de 23.000 de crianças.

A ferramenta também deu espaço para que famosas fossem vítimas da plataforma. Entre as mulheres atingidas pelo crime virtual estão a vice-primeira-ministra da Suécia, Ebba Busch, a ex-vice-presidente dos EUA, Kamala Harris.

Apesar de seguir publicando sobre o Grok no X, Musk não fez qualquer comentário público sobre o caso criminal aberto na França. A conta de assuntos governamentais do X também não se pronunciou sobre o assunto.


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