Advogados do presidente Donald Trump reapresentaram nesta quarta-feira (27) em Miami um processo de difamação movido contra o Wall Street Journal e seu dono, o magnata da mídia Rupert Murdoch, pedindo US$ 10 milhões de indenização por uma matéria associando-o a Jeffrey Epstein.
O processo havia sido rejeitado pelo juiz distrital Darrin P. Gayles em abril. O magistrado afirmou que Trump não conseguiu justificar na alegação inicial que a publicação do Wall Street Journal foi maliciosa, o que pela lei americana é necessário para configurar difamação.
A legislação permite que um processo seja protocolado novamente, com mudanças na petição inicial e nos argumentos.
“No momento da publicação, os réus imprudentemente desconsideraram se as declarações difamatórias eram verdadeiras”, escreveram os advogados de Trump ao reapresentar o processo. Dois jornalistas que assinaram a matéria também são réus.
A Dow Jones, empresa jornalística dona do Wall Street Journal, continuou firme na disposição de encarar a briga, afirmando ter “total confiança” nas matérias do jornal e que planeja se defender com vigor.
Amizade com Murdoch estremecida
O processo é mais uma batalha judicial do presidente dos EUA com a imprensa, mas tem uma particularidade: ele marca um racha do presidente dos EUA com o magnata da mídia Rupert Murdoch, que sempre apoiou Trump.
Murdoch é dono do mesmo conglomerado que controla não só o WSJ, mas também a Fox News, canal considerado decisivo na consolidação da base política de Trump.
O presidente teria ligado para Rupert Murdoch pedindo que a matéria não fosse publicada, mas não foi atendido.
O processo contra o Wall Street Journal
Trump acionou a Justiça com base na lei federal de difamação após o jornal divulgar uma suposta carta enviada pelo presidente a Epstein no seu aniversário de 50 anos, em 2003.
O bilhete, uma congratulação pelo aniversário do bilionário, inclui um desenho obsceno e mensagens ambíguas. A carta faria parte de um caderno de aniversário preparado por Ghislaine Maxwell, então namorada de Epstein.
A federal judge on Monday dismissed President Trump’s defamation lawsuit against the publisher of The Wall Street Journal.
U.S. District Judge Darrin Gayles, based in Miami, Fla., ruled Trump hadn’t made a valid legal claim that he was defamed by an article about a letter to… pic.twitter.com/mi5i5mEnyW
— The Wall Street Journal (@WSJ) April 13, 2026
O que alegam os advogados de Trump
Os advogados do presidente afirmam que o texto do Wall Street Journal tinha declarações falsas, difamatórias e depreciativas.
Além disso, ele afirmou que sofreu “danos financeiros irreparáveis” e que os repórteres agiram de forma consciente e imprudente para prejudicá-lo.
Em publicação na rede Truth Social quando ameaçou processar o WSJ, o republicano disse que os americanos “não tolerarão mais abusos e injustiças da mídia de ‘fake news'”.
Alegações foram insuficientes
Quando rejeitou o processo com base na petição inicial, o juiz distrital Darrin P. Gayles também não acatou o pedido da defesa do WSJ, que quis que a Justiça reconhecesse o conteúdo publicado por eles como verdadeiro.
“Se o presidente Trump foi o autor da carta ou amigo de Epstein são questões que, de fato, não podem ser determinadas nesta fase do litígio”, declarou.
Na época, a Casa Branca e o presidente reagiram salientando que o processo não havia sido encerrado, e que o juiz deu a oportunidade de os autores protocolarem uma nova petição, sugerindo ter sido uma ordem legal e não uma etapa normal de um processo descartado na primeira leitura.
Em comunicado, um porta-voz da equipe jurídica de Trump disse:
“O presidente Trump seguirá a decisão e a orientação do juiz Gayles para protocolar novamente este processo poderoso contra o Wall Street Journal e todos os outros réus. O presidente continuará a responsabilizar aqueles que traficam notícias falsas para enganar o povo americano.”
Caso Epstein dividiu base de Trump
O caso Epstein tem sido um capítulo espinhoso no segundo mandado do presidente. Além de colocar Trump contra parceiros de longa data, como Murdoch, ele também afastou parte da base de apoio do republicano.
Isso aconteceu porque Trump fez uma promessa de campanha afirmando que divulgaria todos os documentos do caso, mas pareceu “voltar atrás” meses após assumir.
O Departamento de Justiça declarou o caso encerrado sem dar muitas explicações no primeiro semestre de 2025.
O pronunciamento gerou revolta entre apoiadores, alguns dos quais passaram a queimar bonés com o slogan “Make America Great Again” e a questionar a liderança de Trump no movimento MAGA.
Em dezembro de 2025, diante de forte pressão, o Departamento de Justiça liberou alguns dos documentos das investigações.
As publicações foram fortemente censuradas e, em alguns casos, totalmente rasuradas. Em janeiro de 2026, o governo divulgou uma “versão final” das investigações, com mais de três milhões de documentos.
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