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Estados Unidos

Larry e David Elisson: como pai e filho acusados por Springsteen de bajular Trump ergueram um império midiático

Apesar dos laços próximos com o presidente nos últimos anos, Larry e David Elisson têm um histórico de aceno a democratas, o que sinaliza que a aproximação possa ser uma estratégia de negócios

À esquerda, Donald Trump aparece ao lado de Larry Elisson; à direita, David Elisson fala sobre aquisições da Paramount Skydance Foto: The White House e ABC News/Reprodução de vídeo




Pai e filho, os bilionários Larry Ellison e David Ellison viraram voltaram a chamar a atenção após o cancelamento do programa The Late Show, de Stephen Colbert, sendo acusados pelo cantor Bruce Springsteen de acabar com a atração para bajular o presidente Donald Trump.

As críticas acontecem quase um ano após a dupla finalizar a fusão entre a Paramount, dona da CBS, e a Skydance, produtora presenteada por Larry ao filho em 2010.  Eles têm sido apontados como nova dinastia na mídia que mistura negócios e poder, como o poderoso Rupert Murdoch.

Agora, a companhia adotou o nome Paramount Skydance e tem como CEO David, um ex-ator de carreira frustrada, que, segundo jornais americanos, sempre quis ser importante em Hollywood.

Apesar de aparecerem ao lado de Trump em alguns eventos, pai e filho não têm histórico republicano. A aproximação, que coincidiu com a rápida transformação de um empresário da tecnologia e um dono de produtora em magnatas da comunicação, parece uma oportunidade de expandir ainda mais sua influência.

Mesmo bilionários, eles não parecem satisfeitos e têm a intenção de expandir ainda mais o seu império.

Críticas de Bruce Springsteen

O cantor Bruce Springsteen foi um dos convidados da semana final do Late Show com Stephen Colbert e criticou publicamente, durante sua apresentação, o comando de Larry e David Ellison na CBS.

Ele chamou pai e filho de pessoas com a “mente pequena”, citou o nome deles e disse que ambos “sentem que precisam bajular o presidente para conseguir o que querem”.

 

Springsteen também afastou a justificativa da emissora, de que falta de dinheiro ocasionou o encerramento do Late Show, e ressaltou a crença de que o problema foi político.

“Você é o primeiro cara na América que perdeu um programa porque temos um presidente que não aguenta piadas”, disse a Colbert.

Quem é Larry Elisson

Elisson nasceu em Manhattan e foi criado pelos tio-avós. Ele se mudou para a Califórnia para trabalhar com tecnologia e, na juventude, foi um dos fundadores da Oracle, empresa que começou produzindo um banco de dados para a CIA em 1977 e acabou, em 1986, abrindo capital.

A companhia desenvolveu projetos de tecnologia por décadas e, nos últimos anos, expandiu seus negócios para a área de inteligência artificial. Hoje, ela organiza bases de dados para bancos, hospitais e até mesmo governos, oferecendo infraestrutura de nuvem e de IA.

Ele foi diretor executivo da Oracle até 2014 e hoje tem o cargo de diretor de tecnologia e presidente executivo da empresa.

O boom da Oracle em 2025 foi tão grande que, por um dia, Elisson passou Elon Musk no cargo de homem mais rico do mundo. O cargo voltou rapidamente para Musk, após o fechamento do mercado financeiro, com a “pequena” diferença de US$ 1 bilhão.

Larry tem dois filhos: Megan Ellison, 40, e David, 43. Os dois sempre foram entusiastas do mundo do cinema e ganharam, cada um, a sua própria produtora.

Quem é David Elisson

David é filho do terceiro casamento do magnata da tecnologia e sempre alimentou o sonho de trabalhar em Hollywood.

Em 2006, ele produziu e atuou no filme Flyboys, com o ator James Franco. O filme foi um fracasso e, após alguns papéis pequenos em outras produções, ele contou com ajuda do pai para fundar a produtora Skydance.

A Skydance deslanchou rapidamente, produzindo filmes como Missão Impossível e Top Gun. Ainda assim, ela não tinha tanto destaque entre as produtoras do mesmo ramo, o que fez com que David buscasse expandir o seu domínio adquirindo a Paramount.

A compra da Paramount por parte da produtora sinaliza que, mesmo diante da ascensão de streamings, a televisão segue sendo um sinal de poder importante para magnatas.

Fora da vida profissional, David é piloto licenciado e casou-se em 2011 com Sandra Lynn Modic, uma atriz. Eles têm dois filhos.

Império midiático

Quando já era considerada uma produtora consolidada, a Skydance anunciou a fusão com a Paramount, dona da CBS e da Nickelodeon. A transição foi complicada, marcada por processos antitruste que só acabaram em agosto de 2025.

Quando as companhias, enfim, se fundiram, além de prometer um “jornalismo imparcial”, Skydance também prometeu acabar com as políticas de ações inclusivas da companhia, algo promovido pelo governo Trump.

David opera como CEO da Paramount Skydance hoje, mas o pai dele segue sendo o líder financeiro por trás da fusão. Ele tem quase 80% das ações e o maior poder de voto da companhia.

Neste ano, o conglomerado sinalizou negociações avançadas para comprar também a Warner Bros Company. Caso o acordo aconteça, o império midiático dos Ellison será ainda maior, com a CNN como um novo braço jornalístico da companhia.

Além de controlar os conglomerados de mídia com a fusão envolvendo a Paramount, os Ellison também operam outro influente braço da tecnologia atualmente: uma rede social.

Desde janeiro de 2026, a Oracle, empresa criada por Larry Ellison, é uma das três investidoras americanas que opera o TikTok nos Estados Unidos. A companhia também audita o código e o algoritmo do TikTok, “resolvendo” uma batalha burocrática que quase baniu a empresa chinesa do país.

Aproximação com Trump

O alinhamento com o conservadorismo de Trump não é algo antigo na vida de Larry Ellison e apareceu gradualmente na última década. No começo dos anos 2000 ele elogiou publicamente Bill Clinton, do partido democrata, e em 2018, à Fox Business, se definiu como uma pessoa “de centro, como Clinton, Rubio e Mitt Romney”.

Em 2016, Ellison doou milhões de dólares para a candidatura de Marco Rubio à presidência dos EUA. Rubio não foi escolhido pelos Republicanos para concorrer à presidência e, depois disso, Ellison nem declarou apoio público, nem fez qualquer doação para os candidatos da época: Trump e Hillary Clinton.

Em 2020, no meio da crise econômica da covid-19, o bilionário organizou um evento para angariar fundos para a reeleição de Trump. Naquele mesmo ano, Trump falou publicamente sobre Larry em um evento, afirmando que o “dono da Oracle é um cara fenomenal”.

Em 2024 Ellison também não contribuiu para a campanha de Trump, mas seguiu levando a amizade com o republicano nas entrelinhas.

Investimento no Twitter e aparições públicas

Um dos principais sinais de aproximação de Larry Elisson com Trump aconteceu quando o magnata da mídia deu US$ 1 bilhão para que Elon Musk comprasse o Twitter.

A compra, feita em 2022 em nome da “liberdade de expressão”, foi seguida da liberação da conta de Trump, bloqueada pela rede social meses antes, após a invasão ao Capitólio dos EUA.

Anos depois, um dia após a segunda posse de Trump, Elisson apareceu ao lado do presidente, de Sam Altman, CEO da OpenAi, e de Masayoshi Son, do SoftBank, para anunciar uma iniciativa público-privada para infraestrutura de inteligência artificial.

Desde então, os dois parecem ter firmado laços mais próximos, com alguns jornais americanos noticiando “visitas frequentes” de Elisson à Casa Branca.

Filho de Elisson doou para Joe Biden em 2024

Diferente do pai, David Elisson fez acenos claros para os Democratas meses antes da vitória de Trump nas urnas. Este aceno aconteceu por meio de doações diretas para a campanha de reeleição de Joe Biden em 2024, de acordo com o canal americano CNBC.

Além de doar quase US$ 1 milhão, meses antes, David deu cerca de US$ 100 mil para o Comitê Nacional Democrata, segundo o mesmo jornal.

A fusão entre Paramount e Skydance aconteceu em agosto de 2025 e, desde então, a situação mudou. David foi visto publicamente ao lado de Trump, assistindo a lutas do UFC, meses após o republicano tomar posse. Pouco antes disso, a Paramount anunciou que comprou os direitos de transmissão da luta.

Ainda assim, publicamente, após a fusão que o levou a um patamar superior de domínio midiático nos EUA, David seguiu afirmando que não tinha interesses políticos. Além disso, ele se classificou em mais de uma entrevista como alguém que quer deixar o canal “entre a centro-direita e a centro-esquerda”.

O fim do Late Show com Stephen Colbert

A CBS anunciou em julho de 2025 que encerraria o Late Show com Stephen Colbert em maio de 2026, aposentando a marca de mais de 30 anos.

De acordo com a emissora, o cancelamento foi uma decisão financeira, em um cenário difícil para os programas late-night da TV aberta. A explicação, porém, foi questionada por críticos e políticos.

Um dos fatores que chamou atenção foi que o anúncio ocorreu poucos dias depois de Colbert criticar um acordo de US$ 16 milhões entre a Paramount, controladora da CBS, e Donald Trump. O acordo aconteceu em uma ação ligada ao programa jornalístico “60 Minutes”.

Colbert comandou o “The Late Show” de 2015 a 2026. Antes disso, ficou conhecido pelo “The Colbert Report”, do Comedy Central, onde construiu sua imagem como satirista político.

Na CBS, assumiu o horário que havia sido ocupado por David Letterman por mais de duas décadas. Oficialmente, o “Late Show” começou em 1993, uma década importante para o surgimento de outros programas com o mesmo formato nos EUA.

Além de Springsteen, a semana final do programa teve outros convidados importantes, como Jon Stewart, Steven Spielberg e David Byrne. Quem fez a performance musical no dia final foi Paul Mccartney, que cantou “Hello, Goodbye”, dos Beatles, ao lado de Elvis Costello, Jon Batiste e do próprio Colbert.

Magnata da mídia vai assumir horário do programa

O bilionário Byron Allen, ex-comediante de stand-up, vai ocupar o horário deixado por Colbert com o seu programa Comics Unleashed.

Ao contrário de Colbert, que trabalhava como um funcionário da CBS, Allen arrendou o horário do programa.

Ou seja: ele vai pagar para usar a vaga deixada pelo cancelamento do Late Show. O acordo prevê que ele produza o seu próprio show com a sua equipe e vendendo publicidade por conta própria.

Em entrevista ao canal CNN neste mês, Allen afirmou que não vai falar sobre política no show. Ele disse, ainda, que que levanta a bandeira de “ser engraçado sem ofender ninguém”.

Logo, a expectativa é de que os espectadores acessem um produto bem diferente do que estavam acostumados nos últimos 33 anos.

Além de trabalhar com comédia, Allen tem domínio de mais de 20 emissoras de TV locais dos Estados Unidos. Além disso, ele e é dono do The Weather Channel. Ele já fez ofertas – sem sucesso – para a Paramount e para a BBC e, recentemente, comprou participação majoritária no BuzzFeed.

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