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Jornalismo

Reportagens sobre a guerra em Gaza levam 8 estatuetas no Emmy de jornalismo; veja os vencedores

Jornalista da Al Jazeera em inglês se emocionou e acusou os Estados Unidos de “concordarem com o genocídio em Gaza” ao agradecer pelo seu prêmio

Mulher com criança em Gaza, cena de documentário premiado

Cena de Kids Under Fire, doc da Al Jazeera premiado no Emmy 2026 (reprodução)




O 47º Prêmio Emmy de Notícias e Documentários reconheceu este ano jornalistas, reportagens e programas televisivos que marcaram 2025 e 2026, dando destaque à cobertura da guerra em Gaza, conflito que atingiu níveis alarmantes de fome e violência no ano passado.

A premiação da Academia Nacional de Artes e Ciências dos EUA, entregue na noite de quarta-feira (27) em Nova York, abrangeu 42 categorias e teve direito a um discurso emocionado de um jornalista da Al Jazeera sobre as mortes de repórteres no enclave.

Além da temática predominante entre os vencedores, uma jornalista portuguesa foi o destaque da noite com uma série documental do National Geographic. Veja outros destaques da noite.

Jornalista dedicou prêmio a colegas mortos em Gaza

Ao subir no palco para agradecer o Emmy dado ao episódio “Kids Under Fire”, do programa “Fault Lines”, o jornalista americano Josh Rushing criticou a parceria entre Estados Unidos e Israel, que deixou dezenas de milhares de mortos na guerra de Gaza.

Repórter Josh Rushing, da Al Jazeera, agradece após receber o Emmy sobre reportagem feita com crianças de Gaza
Repórter Josh Rushing, da Al Jazeera, agradece após receber o Emmy sobre reportagem feita com crianças de Gaza

“Não posso deixar passar a ironia que é aceitar um prêmio por cobrir um genocídio dentro do próprio país que permite que esse genocídio aconteça”, afirmou Rushing.

Além disso, ele homenageou colegas jornalistas que morreram durante a cobertura do evento e médicos que abandonaram suas vidas para se voluntariar no enclave. Quase metade dos jornalistas mortos em serviço em 2025 estavam em Gaza, segundo a Federação Internacional dos Jornalistas.

“Quero dedicar este prêmio aos 11 jornalistas da Al Jazeera que foram mortos por Israel desde 7 de outubro em Gaza e aos 270 colegas jornalistas deles que também morreram.”

O jornalista também afirmou que a profissão vive “dias sombrios, de pressão financeira e compras por parte de oligarcas”. “Preciso implorar para que continuem a lutar. Não há povo livre sem a imprensa livre”, disse.

Coberturas de guerras ganharam destaque

Dentro e fora das categorias temáticas, as coberturas de guerras do mundo permearam os vencedores do Emmy de notícias. Oito das 42 categorias vencedoras premiaram materiais cobrindo a situação em Gaza e uma delas reconheceu uma reportagem sobre a situação nuclear no Irã.

Melhor Cobertura de Guerra ou Conflito Violento e Melhor Roteiro: Kids Under Fire – Fault Lines

A produção da Al Jazeera em Inglês traz depoimentos de profissionais de saúde dos Estados Unidos que presenciaram a guerra em Gaza.

O documentário, de 27 minutos, conta a história de Mira al-Darini, de quatro anos. A criança foi baleada na cabeça do lado de fora da tenda de sua família em Khan Younis, mas sobreviveu com ajuda da médica Mimi Syed em sua primeira missão a Gaza.

Melhor especial de notícias gravado: The Children of Gaza – ABC News Live

A Reportagem de 24 minutos da ABC News conta a vida de três crianças que vivem no enclave. “O filme captura suas duras realidades, enfrentando escassez de alimentos, acesso limitado à educação e o impacto de viver em uma zona de guerra”, diz a emissora.

Melhor Cobertura Contínua (Formato Longo): Along the Green Line – The Guardian

Feita em três partes, esta reportagem do The Guardian visita a “linha verde”, fronteira criada no acordo de armistício de 1949, depois da guerra Árabe-Israelense. O repórter Matthew Cassel visitou a Cisjordânia ocupada, territórios do sul de Israel e territórios palestinos ocupados para mostrar a situação na região, profundamente marcadas pela invasão do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Melhor Videojornalismo e Melhor edição: Filmed In Gaza – NBC News

A reportagem vencedora da NBC News no Emmy fala sobre o trabalho dos jornalistas no local. O vídeo de 51 minutos mostra quase dois anos da rotina de Samed Abu Zarifa, 32, e Samir Al Boji , 40, morando e trabalhando no enclave durante a guerra.

Um dos momentos de maior comoção na reportagem mostra Samir ao lado do corpo de Yousef Al-Khozindar, um colega de profissão, morto após um ataque de Israel a uma tenda de jornalistas.

Melhor Reportagem de Notícias de Impacto (Formato Curto): The War in Gaza – 60 Minutes (CBS News)

A reportagem de 15 minutos, veiculada em um dos blocos do programa 60 Minutes, traz a história de um médico americano que trabalha como voluntário no enclave. Além disso, o programa, assim como outras reportagens vencedoras do Emmy, fala sobre o sofrimento das crianças no meio da guerra.

Melhor Entrevista (Formato Curto): CNN’s Jeremy Diamond Presses Hamas Official on Suffering in Gaza

O repórter americano Jeremy Diamond, da CNN, entrevistou Ghazi Hamad, alto funcionário do Hamas, em setembro de 2025.

Na conversa, ele questiona a responsabilidade do grupo pelo sofrimento dos palestinos em Gaza e pelas dezenas de milhares de mortos após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.

Melhor Cobertura Investigativa (Formato Longo): Strike On Iran: The Nuclear Question – PBS

Única reportagem premiada que fala sobre a guerra no Irã, a edição do programa Frontline, da PBS, analisa o estado atual do programa nuclear do país atacado pelos EUA.

“O presidente Trump justificou repetidamente os ataques alegando que o Irã representava uma ameaça nuclear iminente. Mas meses antes, a mensagem vinda de Washington era de que as principais instalações nucleares do Irã foram ‘destruídas’.”, diz o resumo da emissora.

Documentário da National Geographic foi o destaque da noite

Doc da National Geographic premiado

Apesar do reconhecimento a reportagens relacionadas às guerras, o programa “Trafficked with Mariana van Zeller”, da National Geographic, foi o destaque da noite. Ele levou sete prêmios para casa por seis episódios diferentes.

A produção, apresentada pela jornalista portuguesa, explora como mercados ilegais funcionam no mundo.

Ela ganhou nas categorias Melhor Pesquisa; Melhor Direção; Melhor Cobertura de Ciência e Tecnologia; Melhor Cobertura de Clima, Meio Ambiente ou Meteorologia; Melhor Cobertura de Saúde; Melhor Cobertura de Artes, Cultura ou Entretenimento e Melhor Cobertura de Questões Sociais.

No último prêmio, o episódio “Black Market Love” empatou com uma reportagem do programa Fault Line, da Al Jazeera em Inglês.

Trump, terremoto e incêndios florestais: quem são os outros vencedores

O canal ABC News recebeu dois prêmios pela cobertura dos incêndios florestais da Califórnia em 2025. O primeiro foi de Excelência Técnica em Notícias. Já o segundo foi de Melhor Especial de Notícias Ao Vivo.

O programa 60 Minutes, da CBS, ganhou o prêmio de Melhor Cobertura Estendida de Notícias de Última Hora ao tratar da mesma temática.

Também com a temática de desastres naturais e climáticos, a BBC News ganhou o Emmy de Melhor Cobertura Contínua em Formato Curto. O prêmio reconheceu a cobertura do terremoto de 2025 em Myanmar.

O canal WDSU, por sua vez, foi reconhecido como dono da Melhor Reportagem Regional pela cobertura do furacão Francine.

No âmbito da política, o New York Times ganhou a categoria Melhor Cobertura Investigativa (Formato Curto). O Emmy foi para a matéria “DOGE Package”, que trata do Departamento de Eficiência Governamental do governo dos EUA, anteriormente comandado por Elon Musk.

O site não governamental More Perfect Union foi premiado por Melhor Discussão e Análise de Notícias. O reconhecimento foi para a matéria “Deport Them All: Who’s to Blame for Springfield’s Immigrant Crisis?”, que fala sobre a crise de imigração em Springfield, em Ohio, durante o governo Trump.


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