O governo britânico reagiu com firmeza à manifestação dos Estados Unidos contra a proposta de lei restringindo o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, sinalizando que não vai se curvar ao que classificou como uma defesa dos ‘interesses comerciais do Vale do Silício’.
O episódio abriu um novo foco de tensão entre Londres e Washington em torno da regulação das plataformas digitais, com declarações contundentes de várias autoridades britânicas nesta terça-feira (9).
As grandes empresas do setor, como Meta, X e Google são americanas. Seus líderes se alinharam a Donald Trump desde o início de sua nova administração.
Em troca, o governo tem defendido empresas de tecnologia dos EUA em disputas regulatórias no exterior.
Pressão dos EUA sobre a lei de redes sociais para menores
A manifestação americana foi enviada pela Embaixada dos EUA como parte da consulta pública sobre as novas medidas, encerrada na semana passada, e se tornou pública nesta semana.
No texto, os Estados Unidos argumentam que as medidas em discussão podem afetar a liberdade de expressão, comprometer a abertura da internet e impor custos desproporcionais às empresas americanas que operam no mercado britânico.
A manifestação também questiona a eficácia das tecnologias de verificação de idade, afirmando que elas ainda apresentam falhas e podem impedir injustamente o acesso de usuários legítimos a serviços digitais.
Washington defendeu medidas mais direcionadas, em vez de uma proibição geral para menores de 16 anos, como fez a Austrália em 2025 e já foi seguida por outros países.
Governo britânico diz que não vai recuar
A resposta mais dura veio da secretária de Tecnologia, Liz Kendall. “Não vou ser influenciada de forma alguma”, afirmou.
“Farei o que é certo para as crianças deste país.”
Kendall também rebateu o argumento sobre liberdade de expressão. “Ser aliciado online não tem nada a ver com liberdade de expressão”, disse a ministra.
Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou em um briefing para a imprensa na sede do governo que sua administração “levaria em conta” a submissão dos Estados Unidos, mas que a decisão seria tomada “pelo bem-estar dos cidadãos britânicos, não pelos interesses comerciais do Vale do Silício”.
Outros ministros e parlamentares do governo repetiram a mesma posição em entrevistas, destacando que o apoio público às medidas é amplo e que os riscos enfrentados por crianças online — como aliciamento, desafios perigosos e exposição a conteúdo nocivo — justificam uma abordagem dura.
O governo também deixou claro que não pretende recuar por causa da crítica americana, mesmo reconhecendo que ela é “legítima” dentro do processo de consulta.
Nesta segunda-feira (8) o premiê abriu a London Tech Week com um discurso duro em favor da proteção de crianças e se dirigiu diretamente a duas big techs americanas.
Ele instou Apple e Google a adotarem medidas para impedir a exibição de imagens de sexo e nudez nos telefones usados por crianças e adolescentes.
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Próximos passos da legislação
A consulta pública reuniu cerca de 120 mil respostas, e ministros afirmam que há forte apoio de pais a medidas mais rígidas para proteger crianças de aliciamento, conteúdos nocivos e funcionalidades consideradas viciantes, como a rolagem infinita e o autoplay.
A proposta final deve ser anunciada nos próximos dias.
Entre as medidas em análise estão a proibição de redes sociais para menores de 16 anos, restrições a recursos de engajamento, limites de horário e novas obrigações para plataformas e fabricantes de dispositivos.
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