As principais plataformas digitais reagiram em bloco ao pacote anunciado na manhã desta segunda-feira (15) pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, para restringir o acesso de crianças a redes sociais, jogos online e chatbots de inteligência artificial no Reino Unido.
Em comunicados separados, Meta, YouTube e Snapchat recorreram a uma mesma linha de defesa: afirmam que a proibição pode isolar adolescentes, reduzir o acesso a ambientes supervisionados e empurrar jovens para serviços menos regulados.
A reação ocorre depois de o Reino Unido anunciar o “Australia Plus”, pacote que proíbe redes sociais para menores de 16 anos e veta o acesso de menores de 18 a chatbots de companhia romântica. A implementação está prevista para a primavera de 2027.
Restrições a crianças nas redes sociais no Reino Unido
O pacote proíbe redes sociais para menores de 16 anos, veta o acesso de menores de 18 a chatbots de companhia romântica, impõe restrições a transmissões ao vivo e ao contato de desconhecidos com crianças em plataformas digitais e jogos online, reforça a verificação de idade e prevê proteções ativadas por padrão também para adolescentes de 16 e 17 anos.
O governo também informou que detalhará em julho medidas adicionais, como limites noturnos de uso e pausas em sistemas de rolagem infinita.
Segundo o comunicado oficial, a proibição deve alcançar plataformas como Snapchat, TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X. Serviços de mensagens como WhatsApp e Signal não devem ser incluídos no banimento.
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Uma mesma linha de defesa
Embora tenham sido divulgadas separadamente, as manifestações das plataformas seguiram uma lógica semelhante.
Nenhuma delas contestou diretamente a preocupação do governo com a segurança infantil. O foco das críticas foi o método escolhido: uma proibição ampla por idade.
A Meta, dona de Instagram e Facebook, afirmou que, “como vimos na Austrália, proibições correm o risco de isolar adolescentes de comunidades e informações online e levá-los a alternativas não reguladas, sem proteções integradas e controles parentais”.
Nos últimos dias, a empresa veiculou anúncios na TV destacando as proteções existentes para crianças e jovens.
O YouTube seguiu argumento parecido ao dizer que proibições generalizadas podem tirar crianças de experiências supervisionadas e empurrá-las para serviços anônimos e menos seguros.
O Snapchat também criticou a medida, afirmando que grande parte do uso do aplicativo ocorre em mensagens privadas entre amigos e familiares.
Para a empresa, desconectar adolescentes dessas relações não necessariamente os torna mais seguros e pode levá-los a plataformas com menos proteções.
Governo diz que empresas tiveram sua chance
O governo britânico rebate esse argumento dizendo que as empresas tiveram tempo para proteger crianças e não o fizeram. No comunicado oficial, Starmer afirmou que “os gigantes da tecnologia tiveram sua chance e falharam”.
A secretária de Tecnologia, Liz Kendall, adotou o mesmo tom. “
“As empresas de tecnologia tiveram inúmeras oportunidades de manter as crianças seguras, mas falharam em agir.”
Segundo ela, o governo está “tirando poder dos gigantes da tecnologia e devolvendo-o aos pais”.
O risco de burla
Outro ponto levantado pelas plataformas é o risco de adolescentes contornarem as restrições. As empresas afirmam que jovens podem usar VPNs, contas falsas ou dados de adultos para acessar serviços bloqueados.
Esse debate já apareceu na Austrália, primeiro país a aprovar uma proibição nacional de redes sociais para menores de 16 anos.
O governo britânico diz que pretende aprender com a experiência australiana e adotar mecanismos mais eficazes de verificação etária.
A Ofcom, agência reguladora do setor de comunicações, fará um estudo rápido sobre quais métodos funcionam melhor para verificar se um usuário tem mais de 16 anos.
Pressão também sobre Apple e Google
A ofensiva do governo britânico não se limita às redes sociais. Na semana anterior ao anúncio do pacote “Australia Plus”, Starmer deu três meses para empresas de tecnologia adotarem mecanismos que impeçam crianças de enviar, receber ou visualizar imagens de nudez em celulares e tablets.
A cobrança mira fabricantes de dispositivos e responsáveis por sistemas operacionais, como Apple e Google, e pode virar obrigação legal caso as empresas não apresentem soluções consideradas suficientes.
A iniciativa reforça a linha adotada pelo governo britânico: transferir parte da responsabilidade pela proteção infantil das famílias para as empresas que controlam plataformas, dispositivos e sistemas digitais.
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