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Censura prévia

Tribunal da Ucrânia barra publicação de reportagem sobre irmão de chefe de órgão que investiga corrupção

Jornalista afirma que é a primeira vez que a Justiça ucraniana suspende uma reportagem antes de ser publicada

Ministério da Justiça da Ucrânia

Ministério da Justiça da Ucrânia (foto: Wikimedia Commons)




Um tribunal de Kyiv proibiu o veículo investigativo Slidstvo.Info, a organização Centro de Ação Contra a Corrupção (AntAC) e a jornalista Alina Stryzhak de publicarem uma investigação sobre imóveis supostamente pertencentes a Oleksandr Sukhachov, irmão de Oleksii Sukhachov, diretor do Escritório Estatal de Investigações da Ucrânia (SBI), responsável por apurar crimes cometidos por autoridades públicas.

A reportagem estava prevista para sair no dia 13 de julho, mas a decisão judicial emitida uma semana antes suspendeu a publicação.

Em nota, o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) afirmou que a medida representa uma proibição prévia à publicação de uma investigação jornalística e alertou para seus possíveis impactos sobre a liberdade de imprensa na Ucrânia.

“O bloqueio judicial da publicação de uma investigação pelo Slidstvo.Info e pela AntAC é uma manobra jurídica sem precedentes”, afirmou Gulnoza Said, coordenadora da organização para Europa e Ásia Central do CPJ.

Liminar foi concedida a pedido de empresa ligada ao investigado

De acordo com o CPJ, a decisão atendeu a um pedido de liminar apresentado pela empresa Parkovyi-2 LLC, apontada pelo Slidstvo.Info como ligada a Oleksandr Sukhachov.

A jornalista Alina Stryzhak havia procurado a empresa em 24 de junho para pedir um posicionamento sobre a investigação.

Segundo o Slidstvo.Info, o juiz entendeu que a publicação poderia causar danos irreparáveis e revelar segredos comerciais. Pela legislação ucraniana, a empresa tem dez dias, a partir de 6 de julho, para apresentar uma ação judicial.

Em declaração à emissora pública Suspilne, o tribunal afirmou que a proibição é temporária.

O CPJ observou que liminares desse tipo normalmente são utilizadas para preservar ativos ou provas durante um processo, e não para impedir previamente a divulgação de reportagens.

Veículo afirma que decisão é inédita

O Slidstvo.Info e a AntAC anunciaram que recorrerão da decisão.

Segundo Anna Babinets, fundadora e editora do Slidstvo.Info, esta é a primeira vez que um tribunal impede a publicação de uma reportagem ainda inédita na Ucrânia.

Em nota citada pelo CPJ, a diretora-executiva da AntAC, Daria Kaleniuk, afirmou que as duas organizações acreditam estar sendo usadas para testar um mecanismo destinado a impedir jornalistas de revelar casos de corrupção.

O CPJ informou que procurou o Escritório Estatal de Investigações da Ucrânia (SBI) e a Parkovyi-2 LLC para comentar o caso, mas não recebeu resposta.

Corrupção na Ucrânia

O caso ocorre em um contexto em que a corrupção continua sendo apontada como um dos principais desafios institucionais da Ucrânia.

Segundo a organização Freedom House, o país ainda enfrenta problemas de corrupção no governo, no Judiciário e em outros setores, embora tenha avançado no fortalecimento de órgãos anticorrupção e na investigação de autoridades de alto escalão, o que levou ao afastamento de integrantes do governo nos últimos anos.

Em novembro de 2025 o presidente Volodymyr Zelenskyy demitiu dois altos funcionários e impôs sanções associados próximos depois de investigadores do governo terem revelado que $100 milhões tinham sido desviados do sector energético através de propinas pagas por empreiteiros.


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