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Assédio digital

Semana de fúria: Javier Milei ataca a imprensa nas redes sociais 361 vezes em sete dias

Levantamento foi feito pelo jornal La Nación, que contabilizou posts próprios e republicações entre 17 e 23 de agosto

Javier Milei, presidente da Argentina

Javier Milei, presidente da Argentina (foto: perfil X)




O presidente da Argentina, Javier Milei, reagiu com fúria a uma reportagem do La Nación que contabilizou, em apenas uma semana, 335 republicações contra a imprensa, 26 posts próprios e ainda 21 referências depreciativas ao jornalismo em discursos e entrevistas e na sequência do acompanhamento de ataques feito pelo jornal.

Na quarta-feira (26), Milei repostou uma nova matéria do La Nación registrando mais oito horas de ataques após a semana de fúria. E mirou nos Saguier, família controladora do jornal.

“OS B*B*CAS QUE TANTO DEFENDEM AS BOAS MANEIRAS… Para os idiotas dos Saguier, a forma importa muito mais do que o conteúdo. Por isso, eles têm um exército de ‘jornalistas’ imbecis, incapazes, mas muito bem-comportados (exceto aqueles que usam para fazer operações e pressionar)… TCHAU!”

Ao longo do mesmo dia, continuou republicando e comentando posts de apoiadores com críticas à imprensa e alegações de que seria alvo de perseguição.

Mais de 300 republicações contra a imprensa em uma semana

O primeiro levantamento do La Nación analisou as manifestações de Javier Milei entre 17 e 23 de agosto.

Nesse período, além das 335 republicações contra a imprensa no X, o jornal identificou 26 posts escritos pelo próprio presidente e 21 referências depreciativas ao jornalismo feitas em dois discursos e uma entrevista.

Segundo o jornal, Milei atacou nominalmente 16 jornalistas e criticou pelo menos nove veículos e grupos de comunicação, entre eles La Nación, Clarín, Infobae, Perfil, El Destape, Crónica TV, LN+, TN e C5N.

Os 335 posts repostados são publicações de outras contas que o chefe da nação decidiu compartilhar com seus seguidores.

Entre as expressões usadas por ele ou presentes em mensagens que republicou estavam “jornalistas corruptos”, “mentirosos”, “sicários do microfone”, “símios com microfone”, “imbecis” e “lixo jornalístico”.

Em um dos ataques mais pesados da semana, Milei usou linguagem escatológica contra o jornalista Marcelo Bonelli, a quem chamou de “m**** humana mal c*****” além de usar o termo “sorete” (“c*cô”, em tradução livre).

Milei também voltou a divulgar uma frase que já usou outras vezes contra a imprensa:

“No odiamos lo suficiente a los periodistas” (“Não odiamos suficientemente os jornalistas”).

Ministro de Milei defende punição a jornalistas

Também na terça-feira (25), o ministro da Economia, Luis Caputo, defendeu que jornalistas sofram consequências legais pela publicação de informações que considere sem fundamento.

Caputo reagia a uma publicação do jornalista Beto Valdez sobre uma suposta relação do ministro com uma empresa privada. Ele negou a informação e afirmou que a Justiça deveria agir. Milei apoiou publicamente a declaração.

Jornalistas tiveram acesso restringido a discurso

Os atritos não ficaram restritos às redes sociais. Em 20 de agosto, durante um evento do Council of the Americas, jornalistas não puderam entrar no salão do hotel Alvear, em Buenos Aires, onde Milei discursava.

Santiago Oría, responsável pela área audiovisual do governo, respondeu às críticas dizendo que telas e alto-falantes haviam sido instalados nos corredores para que os jornalistas acompanhassem o discurso. Milei apoiou sua resposta.

Em abril, jornalistas credenciados também tiveram o acesso à Casa Rosada restringido. Naquele mês, Milei afirmou em entrevista à televisão pública argentina que “95% dos jornalistas são delinquentes”.

Entidades registram ataques de Milei à imprensa

O FOPEA (Fórum de Jornalismo Argentino), que monitora agressões à imprensa no país, registrou 278 ataques contra jornalistas em 2025, 55% a mais do que no ano anterior.

Milei foi apontado como responsável por 119 episódios, o maior número atribuído a uma única pessoa no levantamento.


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