Em setembro, quando se comemora o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o amarelo é a cor da prevenção e aparece em campanhas de conscientização sobre saúde mental em vários países, incluindo o Brasil.
Embora cores associadas a causas nem sempre tenham uma origem clara, a do suicídio tem: um Mustang amarelo.
A história começa em 1994, no Colorado, nos Estados Unidos, com Mike Emme, de 17 anos.
Apaixonado por mecânica, ele havia restaurado um Ford Mustang 1968 e pintado o carro de amarelo. O automóvel se tornou tão ligado à sua imagem que Mike passou a ser conhecido entre amigos como “Mustang Mike”.
Em 8 de setembro daquele ano, Mike tirou a própria vida. Relatos posteriores afirmam que seus pais o encontraram sem vida dentro do carro.
Família inicia movimento que deu origem ao Setembro Amarelo no mundo
Depois da morte de Mike, sua família passou aos amigos uma mensagem: se algum deles algum dia se encontrasse em uma situação semelhante, deveria procurar alguém e conversar.
A mensagem foi colocada em papéis amarelos junto com telefones para buscar ajuda. Jovens da comunidade prenderam fitas amarelas a 500 desses cartões para a cerimônia de despedida de Mike, que teve uma soltura de balões amarelos.
A cor remetia ao Mustang amarelo pelo qual ele era conhecido.

Os cartões desapareceram rapidamente. Os adolescentes começaram a enviá-los a amigos e familiares e, em poucas semanas, a família soube que uma jovem havia entregado um deles a uma professora para mostrar que precisava de ajuda.
A mobilização deu origem ao Yellow Ribbon Suicide Prevention Program, fundado em 1994 pelos pais e amigos de Mike. Os cartões amarelos se tornariam uma das principais ferramentas do programa para ajudar jovens a comunicar que precisam de apoio.
Como o Yellow Ribbon atravessou fronteiras
O Yellow Ribbon passou a desenvolver ações de prevenção e programas de educação e treinamento, e hoje informa ter presença em diferentes localidades de 47 países.
A fita amarela também ultrapassou os limites da organização criada pela família Emme e passou a aparecer em iniciativas de prevenção ao suicídio em diferentes partes do mundo.
O Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio
O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio surgiu em 2003, nove anos depois da morte do adolescente.
A iniciativa foi criada pela IASP (Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio), em colaboração com a OMS (Organização Mundial da Saúde), e passou a ser celebrada anualmente em 10 de setembro.
Em 2016, a IASP adotou uma fita internacional para a prevenção ao suicídio nas cores amarela e laranja.
Segundo a associação, uma pesquisa sobre símbolos utilizados mundialmente mostrou que amarelo e laranja estavam entre as cores predominantes. Juntas, elas também representam a chama de uma vela.
Embora não exista uma única campanha mundial chamada “Setembro Amarelo”, o amarelo integra hoje a linguagem internacional da prevenção ao suicídio.
Setembro virou mês de prevenção em vários países
O dia 10 é o marco mundial, mas em diferentes países as ações passaram a ocupar boa parte ou todo o mês de setembro.
Nos Estados Unidos, setembro é oficialmente observado por órgãos de saúde como Suicide Prevention Awareness Month, ou mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio.
No Brasil, a mobilização Setembro Amarelo foi incorporada ao calendário nacional por iniciativa da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). Desde 2014 a entidade promove a campanha em parceria com o CFM (Conselho Federal de Medicina).
Ao longo dos anos, o Setembro Amarelo passou a envolver instituições públicas, empresas, escolas e organizações da sociedade civil, além de levar a cor a monumentos e prédios públicos.
Em 2026, estão previstas iluminações em amarelo no Cristo Redentor, Igreja da Penha, Arcos da Lapa e Monumento Estácio de Sá, no Rio de Janeiro; no Senado e no Congresso Nacional, em Brasília; e na Prefeitura e Praça da Estação, em Belo Horizonte.
Mais de 720 mil mortes por suicídio por ano
Mais de três décadas depois da morte de Mike Emme, o suicídio continua sendo um problema de saúde pública global.
Mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, segundo a OMS. Entre jovens de 15 a 29 anos, é a terceira principal causa de morte.
No Brasil, são 42 mortes por suicídio por dia, de acordo com dados do Ministério da Saúde citados pela campanha Setembro Amarelo de 2026.
A ABP alerta ainda para a possibilidade de subnotificação, entre outros motivos pela existência de mortes registradas como de causa indeterminada.
Neste ano, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio encerra o ciclo de três anos do tema internacional “Changing the Narrative on Suicide” (“Mudando a narrativa sobre o suicídio”), adotado para o período de 2024 a 2026.
A proposta da campanha internacional é mudar a maneira como o suicídio é tratado socialmente, substituindo o silêncio e o estigma por conversas que favoreçam a compreensão, a prevenção e a busca por ajuda.






