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Após batalhas judiciais

Pentágono anuncia força-tarefa para achar fontes que vazam informações do governo a jornalistas

Secretário de Guerra Pete Hegseth anunciou mudança em vídeo publicado nas redes sociais e alegou questões de segurança nacional para a busca desenfreada por fontes

Pete Hegseth, chefe do Pentágono, com bandeiras ao fundo

Pete Hegseth, Secretário do Departamento de Guerra dos EUA, em briefing no Pentágono no dia 4 de março (foto: divulgação Pentágono via X)




O secretário do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta segunda-feira (13) uma força-tarefa para encontrar fontes que passam informações confidenciais a jornalistas dentro do governo do país.

A ideia, de acordo com ele, é que braços diferentes da presidência sejam usados para encontrar quem são as pessoas que vazam dados considerados sensíveis.

A justificativa para a caçada a quem entrega informações confidenciais é a segurança do país, em guerra com o Irã desde fevereiro deste ano.

O anúncio acontece em meio a uma onda de perseguição ao jornalismo nos EUA, com intimações judiciais baseadas em “segurança nacional” e repórteres obrigados a depor em júris.

Força-tarefa dentro do governo

Em um vídeo no X, Hegseth afirmou que a nova força-tarefa é uma operação conjunta do departamento dele com o de Justiça, com outros parceiros federais e com o FBI.

Ele justificou, ainda, que a “caça às fontes” é uma questão de segurança nacional. “A divulgação não autorizada de informações sensíveis do Departamento da Guerra tem um potencial muito real de causar danos extremamente graves à nossa segurança nacional.”, afirmou.

Assim como em outros momentos, ele não direcionou suas ameaças diretamente a repórteres, e sim a quem entrega as informações a eles.

Essa é uma estratégia usada pelo governo para negar que fere o direito à liberdade de imprensa, previsto na primeira emenda da Constituição dos EUA.

Informações vazadas colocam vidas em risco. Essas novas ferramentas e procedimentos nos ajudarão significativamente a proteger nossa força conjunta.

Quem vai comandar as investigações é o Escritório do Conselheiro-Geral (OGC) do Departamento de Guerra. De acordo com Hegseth, esse escritório passa a ter poderes para pedir informações e registros de todas as áreas do departamento relacionadas a vazamentos para a imprensa.

Fontes ameaçadas

Ao anunciar a força-tarefa para encontrar “vazadores” de informações de dentro do governo, o secretário também fez ameaças diretas às fontes de jornalistas.

“O acesso a informações confidenciais e secretas é uma responsabilidade sagrada, e aqueles que traírem essa confiança enfrentarão todo o rigor”, disse.

De acordo com ele, os identificados enfrentarão processos judiciais. Além disso, ele também afirmou que as solicitações de informações do tipo são prioritárias, com obrigatoriedade de respota em até 48 horas.

Aos jornalistas, Hegseth deixou apenas a crítica velada ao desejo por audiência. “A segurança da nossa nação não pode ser uma moeda de troca para aqueles que buscam manchetes momentâneas.”, disse.

Hegseth, um ex-militar, tem uma relação antiga com meios de comunicação. Antes de ser secretário, ele foi co-apresentador do programa Fox&Friends e comentarista do canal por anos.

Processo contra o NYTimes

O anúncio de Hegseth aconteceu dois dias antes da data marcado para o depoimento de quatro jornalistas do The New York Times em um júri federal como parte de uma investigação sobre  o vazamento de informações a respeito do novo avião presidencial de Donald Trump.

Em uma reportagem divulgada em 8 de julho, Julian E. Barnes, Eric Lipton, Tyler Pager e Eric Schmitt afirmaram que Trump substituiu o Boeing 747-8, um presente do governo do Catar usado como o novo Air Force One, pela aeronave mais antiga do governo por uma questão de segurança.

De acordo com o texto, o avião ainda não dispunha de todos os sistemas de proteção existentes nas aeronaves mais antigas. Ele não tinha, por exemplo, recursos de defesa importantes contra mísseis.

Apesar de precisarem ir ao tribunal, os jornalistas não foram acusados de crime. De acordo com o Departamento de Justiça, o objetivo da ação judicial é identificar quem deu ao The New York Times as informações sobre as condições de segurança da aeronave.

Em seu posicionamento, o Times declarou que buscar fontes dentro do governo faz parte do trabalho jornalístico e que o uso de instrumentos criminais para descobrir suas identidades pode dificultar futuras denúncias de interesse público.

Mudança na investigação de fontes

A forma como fontes são tratadas pelo governo dos Estados Unidos mudou meses após Donald Trump assumir a presidência. Em abril de 2025, a procuradora-geral Pam Bondi revogou restrições instituídas pelo Departamento de Justiça durante o governo de Joe Biden.

As regras anteriores limitavam o uso de intimações, ordens judiciais e mandados de busca para obter registros de jornalistas ou identificar fontes em investigações sobre vazamentos.

Agora, sob Trump, uma nova política voltou a permitir essas medidas quando o Departamento de Justiça considerar que há indícios de crime e que outros meios de investigação foram esgotados.

O uso das ferramentas depende de autorização interna e deve, de acordo com o regulamento, ser delimitado ao material considerado necessário.

Apesar de não criar uma obrigação automática para que jornalistas revelem fontes, a mudança ampliou os instrumentos que promotores e investigadores federais.

Agora, eles têm mais formas de buscar registros, equipamentos ou depoimentos ligados a reportagens sobre informações governamentais protegidas.

Após um ano de governo do republicano, os Estados Unidos despencaram no ranking de liberdade de imprensa do Repórteres Sem Fronteiras. O país ficou na 64ª posição, sete números abaixo de 2025.

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