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Cinema e IA

Deepfake com Tom Cruise e Brad Pitt feito com IA da dona do TikTok revolta Hollywood: ‘atividade ilegal’

Motion Pictures Association exigiu que a ByteDance encerre a IA Seedance 2.0 por violar direitos autorais e ameaçar empregos

Novo vídeo gerado por IA chinesa levantou alerta de produtores em Hollywood

Novo vídeo gerado por IA chinesa levantou alerta de produtores em Hollywood



Após a divulgação de um vídeo promocional criado com a IA Seedance 2.0, a Motion Picture Association acusou a empresa de desrespeitar leis de direitos autorais, intensificando a tensão entre a indústria e as ferramentas de inteligência artificial.


A Seedance 2.0, nova plataforma de inteligência artificial da ByteDance, empresa chinesa dona do Tiktok, causou tensão em Hollywood menos de uma semana após o lançamento.

Um vídeo criado com o serviço mostrando uma falsa cena de luta entre Tom Cruise e Brad Pitt levantou não só questionamentos sobre o papel da IA no cinema, mas também debates sobre violações de direitos autorais.

As imagens gerada pela plataforma não aparentam encontrar qualquer limitação legal, estampando rostos de famosos e simulando as vozes deles. Enquanto alguns produtores condenavam a nova criação como um risco para milhões de empregos, outros afirmavam que a IA ainda tem traços grotescos.

Vídeo de 15 segundos mostra cena de ação

O vídeo que causou a polêmica não é tão perfeito quanto os entregues pelas grandes produções de Hollywood. Ele mostra, porém, que esse tipo de produção avançou com velocidade assustadora e não parece estar perto de estagnar.

Um diretor de Hollywood divulgou o vídeo feito com a Seedance 2.0 após um pedido com um prompt de duas linhas. “Talvez Hollywood esteja acabada”, declarou Ruari Robinson.

As imagens geradas mostram Tom Cruise e Brad Pitt trocando chutes e socos em um cenário de destruição. A plataforma de IA também incluiu efeitos sonoros da briga.

Além disso, o diretor postou outros vídeos entregues pela plataforma com prompts diferentes. Em um deles, Brad Pitt bate em um zumbi, enquanto no outro ele bate em um robô e em um ninja.

Como é a nova plataforma de IA do Tiktok

A ByteDance apresentou a Seedance 2.0 como uma plataforma para “oferecer controle sobre a narrativa audiovisual” a diretores e produtores. Enquanto produz os vídeos com prompts simples, ela “gera narrativas complexas, com múltiplas tomadas de áudio nativo e sincronizado”, declarou a companhia.

Ela elencou três pontos como diferenciais em relação a outras plataformas: o primeiro é a possibilidade de movimentação das câmeras.

O segundo, por sua vez, é a consistência no rosto dos personagens, principalmente em movimento. O terceiro e último é a qualidade dos áudios e a sincronização comos lábios dos personagens.

Imagens geraram debates entre produtores

Ruairi obinson não foi o único a comentar sobre os problemas em torno da nova plataforma. O produtor Rhett Reese, que assinou filmes como Deadpool e Zombieland, declarou que sentiu medo ao ver a “perfeição” no resultado do prompt do colega.

“Não estou nada animado com a IA invadindo as atividades criativas. Pelo contrário, estou apavorado. Tantas pessoas que amo estão correndo o risco de perder suas carreiras. Eu mesmo estou em risco.”

O diretor independente Eric Jaff, por sua vez, afirmou que viu o avanço da tecnologia como uma forma de inserir competição em um mercado nichado.

“A produção independente e cineastas poderão competir com as grandes produtoras em termos de qualidade e escala, enquanto as grandes empresas retardam a integração para preservar seu modelo de negócios.”

Gigante de Hollywood acusou Bytedance de violar direitos autorais

A Motion Picture Association foi uma das associações que repudiou os vídeos criados pela Seedance 2.0. Ela divulgou ontem uma nota na qual ordena que a ByteDance encerre “suas atividades ilegais”.

“Ao lançar um serviço que opera sem as salvaguardas significativas contra a violação de direitos autorais, a ByteDance está desrespeitando leis de direitos autorais bem estabelecidas que protegem os direitos dos criadores e sustentam milhões de empregos nos Estados Unidos.”

A MPA tem entre os seus estúdios membros a Netflix, Paramount Pictures, Prime Video, Amazon, MGM e Sony Pictures. Em sua descrição, ela afirma que atua não só para defender os direitos da indústria cinematográfica, mas também para apoiar modos de distribuição inovadores.

Tensão entre IA e artistas não é novidade

Em 2025, o governo britânico afirmou que tinha planos de autorizar que empresas de IA usassem obras protegidas por direitos autorais. Em resposta, mais de mil artistas fizeram um protesto, publicando um álbum inteiro com músicas silenciosas.

“O governo britânico não pode legalizar o roubo de músicas para beneficiar companhias de IA”, dizem, somados, os nomes das músicas. Entre os artistas que se manifestaram estão Paul McCartney e Elton John.

Os dois já fizeram diversas declarações públicas sobre a tomada de produções protegidas por direitos autorais por parte da inteligência artificial.

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