A Grécia anunciou na manhã desta quarta-feira (8) que vai proibir o acesso de menores de 15 anos às redes sociais a partir de 1º de janeiro de 2027.
A medida foi confirmada pelo primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis em uma mensagem em vídeo dirigida a jovens e postada em sua conta no TikTok, em que ele abre fazendo o famoso gesto viral 6 7. Ele reconhece que muitos não gostarão da ideia, mas defendeu a necessidade de impor limites a crianças e adolescentes.

A proibição interromperá o acesso ao Facebook, Instagram, TikTok e Snapchat para qualquer pessoa nascida a partir de janeiro de 2012. Whatsapp, Viber, Messenger e Youtube ficaram de fora.
Com o anúncio, a Grécia se torna o terceiro país a aprovar uma restrição nacional desse tipo, depois da Austrália, que no fim de 2025 proibiu redes sociais para menores de 16 anos, e da Indonésia, que começou no fim de março a desativar contas de menores de 16 anos em plataformas classificadas pelo governo como de alto risco.
Ao justificar a decisão, Mitsotakis associou o uso intenso dessas plataformas ao aumento de ansiedade, problemas de sono e ao desenho viciante dos serviços digitais.
“Se algo nos faz sentir mais estressados, piores, menos legais do que realmente somos, então talvez valha a pena pisar no freio. Nossa intenção não é tirá-lo da tecnologia, que pode ser fonte de inspiração, de conhecimento, de criatividade. Mas a ciência é clara: Quando uma criança passa horas na frente de uma tela, sua mente não descansa.”
Na mensagem, ele afirmou que a Grécia está “entre os primeiros países” a adotar uma iniciativa desse tipo e disse também que o objetivo do governo é pressionar a União Europeia a seguir o mesmo caminho.
Grécia quer menores proibidos de usarem redes em toda a Europa
Vários países do bloco já anunciaram a intenção de bloquear contas ou acesso de jovens, algumas com legislações em tramitação. Entre elas estão Reino Unido, Portugal, França e Dinamarca.
Mas o premiê grego deu sinais de que pretende liderar o movimento. De acordo com notícias publicadas na mídia grega, ele enviou uma carta a Ursula von der Leyen e apresentou a iniciativa como parte de uma pressão para levar a discussão ao nível da União Europeia.
Ele propõe que a UE adote 15 anos como “idade digital de maioridade”, abaixo da qual jovens não poderiam usar redes sociais, e falou em uma resposta “coordenada e rápida” da Europa, que pode acelerar medidas semelhantes no mundo.
Governo cita saúde mental e pressão sobre jovens
Na fala divulgada nesta manhã, Mitsotakis disse que muitas horas diante das telas não permitem que a mente das crianças descanse e expõem os jovens à pressão constante de comparações e comentários online.
Segundo ele, relatos de pais sobre filhos que dormem mal, ficam mais ansiosos e passam tempo excessivo no telemóvel ajudaram a embasar a decisão.
Ele reconheceu que a medida pode não agradar, mas reafirmou sua convicção:
“Tenho certeza de que muitos de vocês mais jovens ficarão zangados comigo. Se eu tivesse a sua idade, poderia sentir o mesmo. “Mas o design viciante de alguns aplicativos, o modelo de lucro que se baseia na sua atenção – em quanto tempo você passa na frente da tela do seu celular – e tira um pouco da sua inocência e liberdade, deve terminar em algum ponto.”
@kyriakosmitsotakis_Αποφασίσαμε να προχωρήσουμε σε κάτι δύσκολο αλλά απαραίτητο: να απαγορεύσουμε την πρόσβαση στα social media σε παιδιά κάτω των 15 ετών.♬ original sound – Kyriakos Mitsotakis
O governo grego já vinha endurecendo sua política digital para menores. O país proibiu o uso de celulares nas escolas e criou ferramentas de controle parental para limitar o tempo de tela dos adolescentes.
Uma pesquisa da empresa ALCO, publicada em fevereiro, mostrou apoio de cerca de 80% dos entrevistados à adoção do banimento.
Assim como nos demais países que já adotaram restrições de idade, o desafio será fazer as regras serem cumpridas pelas plataformas.
Cabe a elas adotar procedimentos para confirmação de idade e bloquear o acesso de. menores de 15 anos.
Austrália e Indonésia elevaram o tom com as Big Techs há duas semanas, exigindo o cumprimento.
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