© Conteúdo protegido por direitos autorais

Representação nas telas

Atrizes 60+ estrelam menos grandes bilheterias do que atores chamados “Chris” e animais falantes, diz pesquisa

Levantamento no Reino Unido analisou os 100 filmes de maior bilheteria entre 2023 e 2025 e aponta a baixa presença de mulheres mais velhas como protagonistas

Chris Pratt, ator, protagonista do filme Garfield

Chris Pratt protagonizou Garfield como a voz do personagem principal do filme (fotos: divulgação)




Uma análise dos principais filmes exibidos no Reino Unido nos últimos três anos constatou que as mulheres 60+ no cinema ficaram atrás não apenas dos atores homens, mas também de atores chamados “Chris” e de animais falantes.

O levantamento foi feito pela campanha Age Without Limits, do Centre for Ageing Better, organização britânica dedicada ao combate ao etarismo.

O conjunto de dados reúne os 100 filmes de maior bilheteria lançados em 2023, 2024 e 2025 no Reino Unido, com base nos números brutos da British Box Office.

A idade dos atores foi padronizada considerando o momento de lançamento de cada filme. Todos os atores de nome Chris que estrelam as grandes produções têm menos de 50 anos.

Mulheres 60+ no cinema aparecem menos que atores chamados Chris

O ator Chris Pratt, de 46 anos, aparece em três filmes da lista de seis: Super Mario Bros., de 2023; Guardiões da Galáxia 3, do mesmo ano; e Garfield, de 2024.

Chris Pine, de 45 anos, Chris Hemsworth, de 42, e Christian Friedel, de 47, completam a lista, respectivamente com Honra Entre Ladrões, Transformers One e A Zona de Interesse.

Entre as mulheres, nenhum nome se repete na lista dos filmes de maior bilheteria protagonizados por atrizes.

O grupo é formado por Jennifer Saunders, em Aleluia, de 2023; Nia Vardalos, em Meu Grande Casamento Grego 3, de 2023; Diane Keaton, em Clube do Livro: O Próximo Capítulo, de 2023; Demi Moore, em A Substância, de 2024; e Jamie Lee Curtis, em Freakier Friday, de 2025.

Emma Thompson questiona ausência de histórias sobre mulheres mais velhas

Emma Thompson, que desempenhou mais de 100 papéis em uma carreira de 40 anos no cinema e TV, questionou onde estão as histórias sobre as mulheres, que representam metade da população “e envelhecem”.

“Quanto mais velhos ficamos, mais interessantes somos. Quero ver mais filmes centrados em mulheres mais velhas. Somos atraentes, identificáveis e já passou da hora de ocuparmos o centro do palco.

Mulheres mais velhas não precisam de permissão para existir na tela. Elas já existem no mundo, o cinema só precisa recuperar o atraso.”

A pesquisa foi realizada por uma equipe da Escola de Cinema, Mídia e Design da Universidade de West London, liderada pelo professor Dennis A. Olsen.

Pesquisa ouviu público sobre mulheres 60+ no cinema

Além do levantamento sobre os filmes, a Age Without Limits ouviu o público sobre a presença de mulheres 60+ como protagonistas no cinema. As opiniões são baseadas nas percepções dos entrevistados, e não em dados reais de produção ou bilheteria.

Uma em cada três pessoas, ou 33%, diz que não há filmes suficientes com atrizes acima de 60 anos como personagens principais. Apenas uma em cada 30 pessoas, ou 3%, pensa o contrário.

A proporção de pessoas que afirmam não haver filmes suficientes com atrizes acima de 60 anos como protagonistas sobe para quase duas em cada cinco, ou 39%, quando a amostra considera apenas mulheres.

O número cai para uma em cada cinco pessoas, ou 20%, quando a pergunta trata de atores homens com mais de 60 anos como personagens principais.

Cerca de uma em cada seis pessoas, ou 16%, diz que seria mais propensa a ver um filme se ele tivesse uma mulher acima de 60 anos como protagonista. O percentual é quase o dobro da proporção de pessoas, 9%, que afirmaram que essa possibilidade as tornaria menos propensas a assistir ao filme.

Representação de mulheres 60+ no cinema não é questão nova

A falta de representação de mulheres 60+ no cinema não é nova. Uma pesquisa anterior realizada pela Escola de Cinema, Mídia e Design da Universidade de West London analisou a idade de 1.200 personagens com falas, excluindo figurantes, em quase 50 filmes populares lançados entre 2010 e 2022.

O estudo constatou que apenas um em cada três personagens tinha 50 anos ou mais.

Harriet Bailiss, co-líder da campanha Age Without Limits, afirmou que, ao não representar adequadamente as pessoas mais velhas, e as mulheres mais velhas em particular, a indústria cinematográfica participa ativamente de sua marginalização na sociedade.

“Para muitas pessoas mais velhas que passaram a questionar seu valor por causa da internalização do etarismo que veem ao seu redor todos os dias na sociedade, essa falta de representação reforçará a ideia de que as pessoas mais velhas importam menos à medida que envelhecem.”

“Não é de admirar que tantas mulheres falem sobre se sentirem invisíveis à medida que envelhecem, quando não se veem refletidas na cultura popular ou na publicidade.”


error: O conteúdo é protegido.