A casa do jornalista italiano Adriano Cappellari foi alvo de um ataque incendiário em Enego, no nordeste da Itália, em um caso que mobilizou até a primeira-ministra do país e expõe os riscos para profissionais de imprensa que abordam o crime organizado.
Segundo a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), Cappellari estava sozinho no imóvel no momento do ataque com coquetéis molotov, ocorrido no dia 31 de maio. O fogo foi apagado pelos bombeiros, e o jornalista não ficou ferido.
A IFJ afirmou que Cappellari já havia recebido cartas anônimas de ameaça por causa de seu trabalho jornalístico.
Ameaças anteriores ao ataque incendiário
Adriano Cappellari colabora com o jornal local L’Altopiano e com o jornal regional Il Giornale di Vicenza, ambos sediados na província de Vicenza, no nordeste da Itália, segundo a IFJ.
Em fevereiro de 2026, o jornalista recebeu cartas anônimas de intimidação relacionadas à sua cobertura sobre Don Maurizio Patriciello, um padre de Caivano conhecido por se posicionar contra o crime organizado na região da Campânia, no sudoeste italiano.
As cartas também foram enviadas a colegas de Cappellari no L’Altopiano e exigiam que ele interrompesse a cobertura do caso, informou a federação.
Três meses depois das ameaças, em 31 de maio, a casa de Cappellari foi alvo do ataque incendiário. A promotoria pública de Vicenza abriu uma investigação.
Meloni diz que ataque é inaceitável
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que ameaçar um jornalista que tenta lançar luz sobre realidades difíceis, como a de Caivano, e sobre o trabalho de pessoas como Don Maurizio Patriciello, é “inaceitável” e representa “um ataque inadmissível à liberdade de imprensa e informação”.
A primeira-ministra disse ainda estar certa de que Cappellari “não se deixará intimidar” e continuará seu trabalho.
“A Itália precisa de jovens corajosos como ele, que não têm medo de denunciar e documentar o que não funciona, para tentar mudar e tornar nossa sociedade mais justa e forte”, afirmou Meloni, segundo a agência.
IFJ vê tentativa de silenciar jornalistas
A diretora da EFJ (Federação Europeia de Jornalistas, na sigla em inglês), Renate Schroeder, classificou o episódio como “mais um ataque preocupante contra um jornalista na Itália”.
O secretário-geral da IFJ, Anthony Bellanger, disse que o ataque representa “uma tentativa inaceitável de silenciar jornalistas”.
Segundo Bellanger, “o direito do público à informação” não pode ser limitado por esse tipo de pressão. Ele cobrou que as autoridades conduzam uma investigação completa, esclareçam os motivos do ataque e levem os responsáveis à Justiça.
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