A jornalista mexicana Roxana Ramírez foi encontrada morta em Veracruz, uma das regiões mais violentas do México, um mês depois de ter sido sequestrada por homens armados dentro de casa e de ter filmado a ação dos criminosos.
A confirmação foi feita pelas autoridades locais após a identificação de restos humanos localizados em um rancho no município de Moloacán na sexta-feira (3), com sinais de ter sido queimado para ocultar o crime.
Oito pessoas foram presas por envolvimento no assassinato. Entre elas estão quatro policiais municipais, acusados de ter dado apoio ao grupo responsável pelo sequestro e morte de Ramiréz.
Os outros quatro detidos são supostos integrantes de uma organização criminosa local, entre eles dois homens identificados pelas autoridades pelos codinomes “Delta 1” e “Delta 7”, apontados como operadores da célula.
Os oito foram indiciados por homicídio doloso qualificado.
Jornalista filmou o sequestro
Imagens de vídeo do ataque — filmadas pela própria jornalista antes de ser sequestrada — circularam rapidamente nas mídias sociais, mostrando os agressores arrombando a porta da frente com uma ferramenta pesada antes de entrar na casa e ameaçando a jornalista e seu irmão com armas de fogo.
🚨 La periodista Roxana Guzmán Ramírez, directora del portal Pulso Informativo del Sureste, fue presuntamente sacada por la fuerza de su domicilio en Nanchital, Veracruz. Es reportada como desaparecida y se desconoce su paradero.#Veracruz https://t.co/7xkj3gEr4H
— LuisCardenasMX (@LuisCardenasMx) June 2, 2026
A página Pulso Informativo del Sureste, seguida por cerca de 20.000 pessoas, reúne notícias sobre assuntos comunitários, reclamações de cidadãos, serviços públicos, política municipal e questões de segurança pública.
Em 2019, a mídia mexicana informou que Guzmán já havia procurado assistência da Comissão Estadual de Veracruz para a Atenção e Proteção de Jornalistas (CEAPP) depois de relatar suposto assédio por um agente municipal em Nanchital.
Em 2017, o marido dela foi assassinado.
Veracruz, um dos lugares mais perigosos para jornalistas no México
Segundo a Repórteres Sem Fronteiras, Veracruz é um dos estados mais perigosos do México para jornalistas.
O país vive uma violência persistente contra a imprensa, particularmente contra repórteres locais que cobrem questões de segurança, política municipal e reclamações de cidadãos.
De acordo com dados da organização, quase 30 jornalistas seguem desaparecidos no México, que ocupa o 122º lugar entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da de 2026.
Jan-Albert Hootsen, Representante do Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) no México, disse:
“Este é o terceiro jornalista que foi morto em Veracruz este ano, uma estatística horrível que reafirma o status sombrio do país como o país mais perigoso para os jornalistas. As autoridades mexicanas devem investigar minuciosamente se esse assassinato estava ligado ao seu jornalismo e garantir justiça para ela e os outros dois jornalistas mortos no estado .”
A morte de Rosana Ramiréz eleva para cinco o número de jornalistas mortos na América Latina este ano. Outros dois profissionais de imprensa foram mortos na Colômbia.
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