Mais um jornalista mexicano foi assassinado esta semana, em novo episódio de violência contra comunicadores no estado de Veracruz, região dominada pelo crime organizado onde 31 profissionais de imprensa morreram desde 2000.
Luis Ángel López Valdez sofreu ameaças de morte e havia recebido apoio do programa governamental para sua proteção, segundo o jornal em que trabalhava como repórter policial e o Sindicato de Jornalistas. Ainda assim, foi baleado e morto na noite da quarta-feira (10).
O assassinato é o segundo na mesma cidade neste ano e acontece em meio a casos de raptos, repórteres baleados e assasinados no México e na América Latina.
Valdezl foi morto dias após a prisão de seis homens pelo sequestro da jornalista Roxana Berenice Guzmán Ramírez, também de Veracruz, que segue desaparecida.
Esses casos confirmam a estatística de que hoje o México é o país mais perigoso para ser jornalista fora de zonas de guerra. A nação ocupa o 122º lugar entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras de 2026.
E chamam a atenção para a fragilidade dos programas de proteção a jornalistas ameaçados, no México e em outros países da região.
O caso mais recente foi o do colombiano Cristian Herrera, morto no dia 6 de junho diante da família em Cúcuta, na fronteira da Colômbia com a Venezuela, quando estava sob proteção do Estado devido a ameaças recebidas nos últimos 20 anos.
Morte de Luis Ángel López Valdez
Homens armados assassinaram o jornalista mexicano enquanto ele caminhava em uma das avenidas mais movimentadas da cidade de Poza Rica, em Veracruz. Os assassinos fugiram do local e Valdez morreu antes da chegada das equipes de socorro.
De acordo com o Sindicato Nacional de Redatores de Imprensa do México, Valdez vivia sob ameaças, inclusive de policiais da região. Ele trabalhava no jornal Vanguardia de Veracruz e cobria temas de segurança pública.
O sindicato de jornalistas classificou o crime como “hediondo” e disse que a morte aconteceu enquanto Luis exercia seu trabalho como repórter.
A Federação Internacional de Jornalistas, por sua vez, afirmou que o caso é um reflexo da “precariedade institucional’ do México.
Outro crime na mesma cidade
Cinco meses antes da morte de Luis Angel, a cidade de Poza Rica teve outro jornalista assassinado. Carlos Castro, que trabalhava com crônicas policiais no jornal Código Norte, foi morto a tiros dentro do restaurante da família dele em 8 de janeiro.
Castro também tinha proteção policial, mas o governo suspendeu o serviço quando ele deixou o estado por questões de segurança, em 2024. A polícia não prendeu ninguém pelo crime até hoje, apesar dos pedidos para uma investigação aprofundada.
Poza Rica tem cerca de 190 mil habitantes e convive com o crime organizado, brigas territoriais de facções e com casos corriqueiros de corrupção envolvendo o tráfico de drogas.
Onda de violência contra jornalistas
No caso da jornalista Roxana Ramiréz, sequestrada dentro de casa em Veracruz, entre os seis presos na segunda-feira (8) estão dois funcionários da Petróleos Mexicanos (Pemex) e um advogado. Todos se disseram inocentes das acusações.
A governadora de Veracruz, Rocío Nahle García, disse que as autoridades seguem “várias linhas de investigação”. Não se sabe até o momento a motivação por trás do sequestro.
Roxana é diretora da página Pulso Informativo del Sureste e gravou seu próprio sequestro, em 2 de junho, na cidade de Nanchital.
O marido dela foi assassinado em 2017 e a jornalista pediu, em 2019, ajuda das autoridades por sofrer ameaças de um agente municipal. Seu paradeiro continuava desconhecido nesta sexta-feira (12). Ela está entre os 28 jornalistas desaparecidos no país, segundo dados do RSF.
México: um país perigoso para jornalistas
De acordo com dados do RSF, o México é o mais perigoso para jornalistas fora de zonas de guerra. As principais vítimas são aqueles que cobrem crime organizado, corrupção e segurança pública.
Meses antes, em março, outro assassinato contra jornalista aconteceu. Desta vez, a vítima foi Juan David Gámez, dono do site Táctica SS, no estado de Nuevo León.
A morte aconteceu dois dias após um atentado ferir outro repórter, Óscar Merino Ruiz, diretor do canal OM Noticias, no estado de Oaxaca. Internado em estado grave, ele sobreviveu. Os dois, que cobriam casos de segurança, tráfico de drogas e operações policiais sofriam ameaças de morte.
O México teve 176 jornalistas mortos de 2000 até 2025, de acordo com a organização mexicana Artigo 19. Veracruz lidera essas mortes, com 31 assassinatos. O segundo estado com mais jornalistas mortos neste mesmo período é Guerrero, com 19, seguido de Oaxaca, com 15.
A conivência entre o crime organizado e os governos é o principal motivo para a letalidade dos jornalistas, segundo o RSF.
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