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Violência contra a imprensa

‘Alguém vai morrer’: TV de Israel é atacada e jornalistas ameaçados por cobertura sobre abuso contra detento palestino em base militar

Invasor quebrou a entrada da sede e deixou um bilhete exigindo retratação pela cobertura de denúncia de abuso em base militar israelense.

Homem joga pedra no vidro de rede de TV Channel 12 em Israel, em nova ameaça a jornalistas no país

Sede do Channel 12 foi atacada duas vezes e câmeras de segurança registraram o agressor (reprodução Channel 12)




As ameaças a jornalistas em Israel ganharam um novo episódio após o segundo ataque, em menos de um mês, à sede da emissora Channel 12, desta vez associado à cobertura da rede sobre abuso contra um palestino detido em uma base militar.

Durante a madrugada entre segunda e terça-feira, uma pessoa mascarada quebrou as portas de vidro da entrada do prédio, em Tel Aviv, e deixou no local um bilhete manuscrito com uma ameaça de morte se não houvesse retratação, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

bilhete com ameaça de morte a jornalistas do Channel 12 de Israel
foto: cortesia Channel 12 via CPJ

Segundo o site Israel National News, um incidente semelhante foi relatado nos escritórios do jornal Haaretz, de oposição ao governo Netanyahu.

As autoridades informaram que estão examinando se os dois casos estão conectados e se foram realizados pelo mesmo indivíduo.

Ataque amplia ameaças a jornalistas em Israel

O Channel 12 é uma emissora privada e comercial de sinal aberto, controlada pelo grupo de mídia Keshet.

Um dos principais canais de televisão de Israel, mantém uma cobertura jornalística frequentemente crítica ao governo de Benjamin Netanyahu, embora não seja formalmente ligado a partidos de oposição.

Imagens de câmeras de segurança divulgadas após o ataque mostram uma pessoa mascarada quebrando a entrada do prédio da Channel 12 antes de fugir.

O bilhete deixado no local exigia que a emissora pedisse desculpas por sua cobertura sobre a base militar Sde Teiman.

A mensagem também afirmava que os ataques continuariam até que o pedido de desculpas fosse feito e advertia que “alguém acabará morrendo”.

O ataque ocorreu em reação à cobertura da Channel 12 sobre uma denúncia de abuso contra um detento palestino na instalação de Sde Teiman.

O que é a instalação de Sde Teiman

Sde Teiman é uma base militar israelense localizada no deserto do Neguev que passou a funcionar como centro de detenção para palestinos levados da Faixa de Gaza após o início da guerra, em outubro de 2023.

A instalação tornou-se alvo de denúncias de maus-tratos, tortura e violência sexual contra detentos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) registrou essas alegações e pediu investigações e responsabilização. As autoridades israelenses afirmaram que as normas militares proíbem violência, tortura e tratamento degradante e disseram que denúncias específicas estavam sendo investigadas.

Foi a cobertura jornalística de uma dessas denúncias de abuso contra um detento palestino que motivou, segundo o bilhete encontrado na sede da Channel 12, as ameaças dirigidas à emissora.

Segundo ataque à Channel 12 em menos de um mês

O episódio foi o segundo ataque contra os escritórios da Channel 12 em menos de um mês, conforme o CPJ.

No início de julho, outra pessoa mascarada lançou dois blocos de concreto contra a entrada de vidro do prédio e fugiu. O comunicado não informa se as autoridades identificaram uma ligação entre os dois episódios.

A polícia israelense abriu investigações sobre os ataques, mas não havia anunciado nenhuma prisão relacionada aos casos até a divulgação do alerta do CPJ.

CPJ vê escalada perigosa de intimidação

Sara Qudah, diretora regional do CPJ, afirmou que o segundo ataque em menos de um mês, acompanhado de uma ameaça explícita de morte contra jornalistas, representa uma escalada perigosa de intimidação contra a imprensa israelense.

Segundo a representante do CPJ, o episódio não pode ser tratado apenas como um ato de vandalismo. Ela cobrou das autoridades israelenses uma resposta que deixe claro que pessoas responsáveis por ameaçar ou atacar jornalistas serão rapidamente responsabilizadas.

Qudah também defendeu que as autoridades adotem medidas decisivas para proteger os profissionais de imprensa e preservar sua capacidade de trabalhar e divulgar informações livremente, sem medo.

Emissora afirma que não recuará

Em declaração enviada ao CPJ, um porta-voz do Channel 12 classificou o episódio como um sinal de alerta real e afirmou que a vida dos jornalistas da emissora não pode ser tratada como um alvo legítimo.

O Channel 12 também declarou ao comitê que não recuará diante de legislação, incitação ou violência.

Polícia promete usar meios operacionais e investigativos

Segundo o comunicado do CPJ, o comissário da polícia israelense, Danny Levy, afirmou que as autoridades estavam tratando o caso com a máxima seriedade.

Levy disse que realizaria uma reunião urgente para discutir o ataque. Ele também declarou ter instruído o comandante do distrito de Tel Aviv a empregar todos os meios operacionais e investigativos disponíveis para identificar e prender o responsável.


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