Dez anos após deixar a Casa Branca, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama anunciou o lançamento de um podcast para falar sobre livros.
“A Great Book With Barack Obama” (“Um ótimo livro com Barack Obama”, em português) trará convidados para debater como a leitura muda vidas e perspectivas.
A paixão do ex-presidente pela literatura não é novidade. O ex-presidente sempre divulga no verão uma lista de livros que ele gostou de ler na estação. Neste ano, ele divulgou onze obras, entre elas o livro “Kin”, de Tayari Jones, e “Data Empire”, da autora Roopika Risam.
Esses autores, porém, não estão na lista dos que devem ser debatidos nos episódios do podcast. A proposta do novo podcast é mais clássica e as obras escolhidas por Obama para sua primeira temporada do podcast são, em sua maioria, do século 20.
Seis livros, seis episódios
Ao anunciar seu novo podcast, Obama explicou que revisitou livros que o impactaram quando ele era jovem. Ele listou seis livros que “influenciam como ele pensa sobre família, fé, raça, política e América”. Cada um deles vai guiar um dos episódios. São eles:
- Song of Solomon, de Toni Morrison (publicado no Brasil com o nome “A canção de solomon”)
- Tinker Tailor Soldier Spy, de John le Carré (publicado no Brasil com o nome “O espião que sabia demais”)
- The Fire Next Time, de James Baldwin (“Da próxima vez, o fogo”)
- All the Pretty Horses, de Cormac McCarth (“Todos os belos cavalos”)
- Gilead, de Marilynne Robinson (que manteve o título original no Brasil)
- All the King’s Men, de Robert Penn Warren (Publicada a princípio com o nome “Os Capangas do Chefe”, e, depois, com o nome “Todos os homens do rei”).
Leituras clássicas
A única autora viva entre os escolhidos por Obama é Marilynne Robinson, 82. O livro dela, Gilead, um romance de 2004, conta a história de um ministro congregacionista que escreve um diário para o seu filho após descobrir que tem um problema de saúde e não viverá tempo o suficiente para vê-lo envelhecer.
Os outros livros também falam sobre temas diversos, como jornadas de autoconhecimento e politica. Obama mencionou que convidou “alguns amigos” para ajudar no projeto, mas não detalhou quem esses convidados são.
O primeiro episódio do podcast tem data de inauguração prevista para 24 de setembro e, de acordo com a publicação de Obama, estará disponível na plataforma Audible, da Amazon. Não há detalhes sobre se esse podcast será veiculado em outros sites.
Apesar da inovação, Barack não é o primeiro Obama a sediar um podcast. A ex primeira-dama Michelle Obama apresenta, desde 2020, o In My Opinion, um programa sobre desafios cotidianos de vida e família. O programa também tem a participação de Craig Robinson, irmão de Michelle.
Os projetos culturais de Obama
O podcast de Obama não é o único produto a levar o nome do ex-presidente neste ano. Em junho, o democrata inaugurou o Centro Presidencial Obama, em Chicago.
Com investimento de US$ 850 milhões, o complexo cultural foi erguido em uma área de 7,8 hectares. O espaço conta com um museu e uma biblioteca, assim como espaços esportivos para a população local.
Ao lado de Michelle Obama, o democrata também criou uma produtora de filmes chamada Higher Ground, que coassina o podcast. Eles produziram mais de 20 projetos neste período, incluindo “Indústria Americana”, vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2020.
Além disso, outra produção dos Obama foi “Working: What We Do All Day”, uma série documental estrelada pelo próprio democrata. Lançada em 2023, a produção mostra Obama visitando americanos em suas casas para aprender mais sobre suas vidas.
Contraponto a outros presidentes
Os movimentos culturais de Obama mostram que o democrata teve uma inclinação um pouco diferente da dos seus antecessores após a sua aposentadoria da cadeira presidencial.
Enquanto George W Bush criou um instituto para financiar pesquisas sobre políticas públicas e liderança, Bill Clinton foi enviado diplomático das Nações Unidas no Haiti. Além disso, Clinton criou uma fundação para combater as mudanças climáticas e iniciativas de saúde pública no mundo.
A esposa dele, ex-primeira-dama Hilary Clinton, tentou concorrer à presidência em 2016, perdendo para Donald Trump. Obama, por sua vez, tem feito aparições públicas em eventos com outros ex-presidentes, mas raramente atrela sua imagem a de outros políticos.
E tem reforçado sua imagem como influenciador, mantendo-se ativo na mídia por meio de projetos como o do podcast e os documentários, em que as mensagens são mais controladas.
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