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Violência contra jornalistas

Oitavo jornalista é assassinado no México em 2026; país tem média de um crime contra imprensa por mês

Ricardo Zuñiga, um jornalista local que noticiava assuntos de sua comunidade, é segundo profissional de imprensa morto em dois meses em Puebla

Jornalista assassinado no México Ricardo Zúñiga



Três depois de a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e 40 meios de comunicação do México terem se unido para cobrar da presidenta Claudia Sheinbaum uma resposta à violência contra a imprensa, mais um jornalista é assassinado no país, em circunstâncias semelhantes às de casos anteriores.

Morto a tiros no sábado (29) aos 35 anos, Ricardo Zuñiga Rosas era fotógrafo e jornalista local, noticiando assuntos do município de Tehuitzingo, no estado de Puebla, em uma página no Facebook com 13 mil seguidores. E havia denunciado ameaças.

De acordo com relatos da imprensa mexicana,  dois homens o balearam dentro de sua loja de produtos de limpeza (situação comum para jornalistas locais, que dependem de outra fontes de renda para sobreviver). O jornalista foi levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo a RSF, Zuñiga é o oitavo repórter no México a ser morto devido ao seu trabalho em 2026 — uma média de um jornalista morto por mês.

Jornalista assassinado no México tinha sido ameaçado

No 9 de maio, Ricardo Zuñiga Rosas informou em sua página do Facebook que havia recebido um telefonema de uma pessoa não identificada exigindo que ele parasse de questionar a administração municipal sobre a gestão do aterro de lixo, o uso de fundos públicos, obras municipais e outras questões políticas locais.

Postagem no Facebook de jornalista México relatando ameaça

De acordo com sua postagem no Facebook, a pessoa avisou que haveria consequências se ele continuasse abordando essas questões.

A RSF informou que uma investigação policial sobre o assassinato já está em andamento. Mas o crime vai além de um caso isolado, disse em nota Artur Romeu, Diretor da RSF para a América Latina.

Josué Martínez Contreras, do canal Noticias San Martín Texmelucan, foi morto em 16 de julho de 2026 no mesmo estado de Puebla.

Romeu destacou que o novo crime aconteceu apenas 23 dias depois de um encontro com o Procurador-Geral do Estado de Puebla, Idamis Pastor Betancourt, para pedir medidas de proteção mais fortes para jornalistas, juntamente com as organizações de liberdade de imprensa ARTIGO 19, Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) e Proposta Cívica.

“A Procuradoria-Geral do Estado deve agora transformar seus compromissos em resultados concretos, identificar quem matou Zúñiga e quem estava por trás das ameaças que precederam seu assassinato”, afirmou.

2026: uma onda de jornalistas assassinados no México

O assassinato de Zuñiga ocorreu depois de um manifesto coletivo da Repórteres Sem Fronteiras e de 40 veículos de imprensa de todo o país divulgado no dia 26 de agosto, intitulado “Quantos mais de nós terão que morrer até que o estado mexicano tome medidas?”.

O manifesto exige do governo da presidenta Claudia Sheinbaum e do Departamento de Justiça ações concretas para proteger os profissionais de imprensa em perigo.

No total, 17 jornalistas foram mortos desde o início da presidência de Sheinbaum em 1o de outubro de 2024, de acordo com os registros da organização.


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