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IA e informação

4 em cada 10 usuários de IA recorrem aos chatbots para saber mais sobre notícias vistas em outras fontes

Tela de smartphone com ícones de atalho para chatbots de IA Gro, Meta, ChatGPT

Foto: Salvador Rios via Unsplash




Uma em cada 10 pessoas ouvidas pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, em 45 países, já usa chatbots de inteligência artificial semanalmente para se informar, segundo o Digital News Report 2026 da organização.  Em 2025, a taxa era de 7%.

No Brasil, o percentual chega a 13%, acima da média geral, um avanço de 4 pontos percentuais em relação ao ano passado. No entanto, apenas 1% das pessoas ouvidas diz ter os chatbots como principal fonte de notícias.

O uso da IA para se informar é maior entre os jovens: 17% na faixa etária mais nova recorrem a chatbots para notícias, contra 5% entre os mais velhos.

Usuários fazem perguntas, pedem resumos e checam fontes

O levantamento mostra que os chatbots não são usados apenas para encontrar as últimas notícias. O comportamento mais comum é continuar a conversa sobre uma informação, fazendo perguntas que complementem o que já tinham visto em outras fontes.

  • 42% fazem perguntas adicionais sobre uma notícia;
  • 35% buscam as últimas notícias;
  • 34% pedem resumos;
  • 33% pedem uma avaliação da confiabilidade de uma fonte;
  • 30% solicitam explicações mais simples.

Fazer perguntas adicionais aparece em primeiro lugar em 33 dos 45 mercados analisados, incluindo o Brasil.

O uso é mais comum entre quem acompanha o noticiário com grande frequência: nesse grupo, 18% recorrem a chatbots para se informar, contra 7% entre quem acessa notícias apenas uma vez por dia.

A pesquisadora Amy Ross Arguedas, autora do capítulo dedicado aos chatbots, afirma que a IA “não é simplesmente mais uma rota para as manchetes”.

O comportamento dos usuários sugere que essas ferramentas começam a ocupar também um espaço de explicação, aprofundamento e avaliação das informações.

Confiança ainda limita o uso

O crescimento não significa confiança generalizada. Apenas 20% das pessoas ouvidas dizem confiar nas notícias fornecidas por chatbots.

A diferença entre usuários e não usuários é grande: entre quem já recorre à tecnologia para notícias, a confiança chega a 44%; entre quem não usa, fica em 17%.

Segundo o Instituto Reuters, essa relação ajuda a explicar a adoção. Usar um chatbot para notícias ainda depende de uma escolha deliberada, ao contrário do contato incidental com informação em redes sociais.

Poucos chegam às fontes originais

O Instituto Reuters ressalta que a comparação deve ser feita com cautela, porque esse cálculo inclui também quem não utiliza chatbots para notícias. Ainda assim, o resultado reforça uma preocupação crescente dos veículos: a possibilidade de que a IA responda à pergunta do usuário sem gerar uma visita à fonte original.

Esse movimento se soma a outros sinais de mudança na distribuição de audiência. Uma análise recente da Similarweb mostrou que sites de notícias foram a única entre cinco grandes categorias da internet a perder audiência em um ano, enquanto o uso de ferramentas de inteligência artificial avançou.

Ao mesmo tempo, conteúdos jornalísticos continuam servindo de base para parte das respostas geradas pelos sistemas. Outro estudo abordado pelo MediaTalks mostrou que as fontes utilizadas por ferramentas de inteligência artificial são distribuídas de forma desigual e nem sempre ficam claras para o usuário.

O que os números indicam para o jornalismo

Para o Instituto Reuters, os dados mostram que os chatbots começam a ocupar funções que antes estavam separadas entre mecanismos de busca, agregadores e os próprios veículos: encontrar informação, resumir, explicar, comparar e responder dúvidas adicionais.

O desafio para as empresas jornalísticas é não competir apenas com a conveniência dessas ferramentas. A recomendação dos pesquisadores é concentrar esforços no que pode diferenciar o jornalismo: apuração própria, fontes confiáveis, contexto e informação original.

O Digital News Report 2026 ouviu quase 100 mil pessoas em 48 mercados. As perguntas específicas sobre usos de chatbots para notícias foram aplicadas em 45 mercados.


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