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Retratos do planeta

Brasileiro é premiado em concurso da realeza de Mônaco com foto de crime ambiental contra tubarões no Brasil

Concurso da Fundação Príncipe Albert II de Mônaco escolhe anualmente as melhores fotos retratando os desafios enfrentados pela natureza

Incineração de barbatanas de tubarão apreendidas pelo IBAMA em São Paulo, foi uma das imagens premiadas do concurso de fotografia ambiental

Foto: Fernando Faciole / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 - Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.




A Fundação Príncipe Albert II de Mônaco anunciou os vencedores do Prêmio de Fotografia Ambiental de 2026 e entre eles está o fotógrafo brasileiro Fernando Faciole, na categoria Humanidade x Natureza, com a imagem “Nascido para o Oceano, Destinado às Chamas”.

Produzida em São Paulo em 2025, a fotografia retrata a incineração de 28,7 toneladas de barbatanas de tubarão, maior apreensão já feita pelo IBAMA, o que corresponde à morte de pelo menos dez mil animais.

Incineração de barbatanas de tubarão apreendidas pelo IBAMA em São Paulo, foi uma das imagens premiadas do concurso de fotografia ambiental
Foto: Fernando Faciole / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

O ato simboliza tanto o cumprimento da legislação ambiental quanto a necessidade urgente de políticas públicas capazes de acabar com um comércio que transforma predadores de topo, essenciais para a saúde dos oceanos, em resíduos destinados às chamas.

Em um marco histórico, o IBAMA anunciou no dia 26 de março a proibição nacional da exportação de barbatanas de tubarão. O Brasil também proibiu a importação de qualquer tubarão classificado como espécie ameaçada em sua lista oficial.

Faciole venceu ano passado na categoria Voto do Público com a foto de uma anta que sobreviveu a um incêndio no Pantanal.

Veja os vencedores nas outras categorias do concurso de fotografia ambiental

Dividido em cinco categorias – Agentes de Mudança, Humanidade vs. Natureza, Florestas, Oceano e Regiões Polares – o concurso de Fotografia Ambiental premia também os vencedores da Escolha do Público, da Escolha do Estudante e o Grande Prêmio Fotógrafo do Ano.

Categoria Agentes de Mudança e Fotógrafo Ambiental do Ano
Impressão de mão em tartaruga marinha, por Britta Jaschinski

O prêmio Fotógrafo Ambiental do Ano foi para a fotojornalista da vida selvagem Britta Jaschinski, que também venceu na categoria Agentes de Mudança com a imagem “Impressão de mão em tartaruga marinha”.

À primeira vista, esta pode parecer uma fotografia subaquática de uma tartaruga-verde (Chelonia mydas), mas você consegue identificar a impressão digital humana?

Tartaruga-marinha com impressão de mão no casco
Foto: Britta Jaschinski / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

Conhecida por suas investigações sobre a relação entre humanos e natureza, mostrando crimes ambientais e contra a vida selvagem, o registro de Jaschinski demostra um método para obter provas forenses que podem ajudar a capturar caçadores furtivos e traficantes de animais.

Corantes fluorescentes em pó especiais, fotografados sob luz ultravioleta, revelam vestígios de mãos e impressões digitais, sangue e outros fluidos corporais, resíduos de pólvora, entre outros.

Homem curlew, por Morgan Heim

O vice-campeão da categoria Agentes da Mudança fez este registro com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a conservação do maçarico-real (Numenius arquata).

Homem vestido como uma ave foi uma das imagens premiadas no concurso de fotografia ambiental PrÍncipe Alberto de Mônaco
Foto: Morgan Heim / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

Em 2024 Matt Trevelyan, que trabalha na conservação do maçarico-real para a Paisagem Nacional de Nidderdale, decidiu se vestir como a ave em tamanho humano e atravessar o condado em Nidderdale, North Yorkshire, Inglaterra, percorrendo 85 quilômetros em um fim de semana para conscientizar sobre a proteção da espécie.

A foto foi feita quando começaram a filmagem para um documentário sobre seus esforços para proteger o maçarico-real, que acaba de ter um parente próximo, o maçarico-de-bico-fino, extinto.

Categoria Humanidade vs Natureza
Esperanças afundando, por Alain Schroeder

Inundações no coração da ilha de Java, Indonésia, em 2024, foi a fotografia ambiental vice-campeã na categoria Humanidade vs. Natureza.

Menina sentada na janela de uma casa durante inundações na Ilha de Java
Foto: Alain Shroeder / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

O nível do mar ao redor da Indonésia tem subido alarmantes 4 mm por ano desde 1992, uma consequência das mudanças climáticas e as cidades costeiras do norte foram as mais severamente afetadas.

Com mais de 80 mil quilômetros de litoral, as mais de 17 mil ilhas que compõem o arquipélago indonésio estão sob constante ameaça.

Especialistas preveem que, até 2050, milhares de ilhas do país e quase um terço de Java, onde hoje se encontra a capital Jacarta, estarão submersas. Marés fortes, tsunamis e erosão costeira impactam severamente o meio ambiente e as economias locais, destruindo propriedades, meios de subsistência e deslocando comunidades inteiras.

Categoria Florestas
Espíritos das Cataratas, por Arnaud Farré

A fotografia ambiental capturada nas Cataratas do Iguaçu, entre Brasil e Argentina, mostra um tucano comendo frutos na copa de uma árvore. O local abriga mais de 450 espécies de aves, incluindo o tucano-toco (Ramphastos toco), uma ave nativa da floresta tropical.

Tucano comento frutos nas Cataratas do Iguaçu - Brasil-Argentina
Foto: Arnaud Farré / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

O Parque Nacional do Iguaçu consiste em um sistema de 275 quedas d’água que se estende por quase três quilômetros. No lado argentino, o parque abrange 67 mil hectares. Criado em 1934, foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1984.

Olhar do predador, por Luca Eberle

Uma puma fêmea observa os movimentos de macacos-aranha na copa das árvores da Península de Osa, na Costa Rica.

Puma observa animais em floresta na Costa Rica. Imagem premiada no concurso de fotografia ambiental
Foto: Luca Eberle / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

Nessas florestas tropicais, a dieta das pumas inclui uma grande variedade de animais do sub-bosque e, ocasionalmente, primatas, capturados por meio de saltos acrobáticos e escaladas ágeis em árvores e às vezes o gado.

Embora a puma esteja classificada como de menor preocupação na Lista Vermelha da IUCN, as populações da América Central, incluindo as da Costa Rica, enfrentam crescente pressão devido à perda e fragmentação de habitat, à diminuição de suas presas e ao conflito com a atividade humana.

Periquito mordendo lagarto monitor, por Hira Punjabi

O fotógrafo registrou o momento em que um periquito atacou um lagarto no Parque Nacional Keoladeo, em Bharatpur, Rajastão. O local é um santuário de pássaros que abriga muitas aves migratórias no inverno e algumas aves nativas durante o período de reprodução.

Periquito atacando um lagarto
Foto: Hira Punjabi / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.
Categoria Oceano
Dilena da pardela, por Henley Spiers

A imagem mostra uma pardela-de-cauda-em-cunha (Ardenna pacifica) mergulhando entre um cardume de peixes-lanterna atrás de uma presa, na Costa Rica.

Ave mergulha entre um cardume de peixes na Costa Rica
Foto: Henley Spiers / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

As pardelas são adaptadas à vida no mar e dependem de estoques saudáveis ​​de peixes. Os peixes-lanternas representam até 65% da biomassa de peixes de águas profundas.

Eles formam um elo crucial na cadeia alimentar oceânica, sustentando predadores que vão desde aves marinhas e golfinhos até atuns e raias-diabo.

O Acordo sobre Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional (BBNJ), que entrou em vigor no início de 2026, é a primeira estrutura legal internacional a proteger cenas como esta em aproximadamente metade do nosso planeta que se encontra além das águas nacionais.

Melhor que ouro, por Shane Gross

A imagem mostra um grande cardume de xaréus-olho-grande (Caranx sexfasciatus), nadando ao amanhecer na praia da Ilha D’Arcos, dentro de uma área marinha protegida (AMP) recém-criada nas Seychelles.

Cardume de peixes nadando ao amanhecer nas Ilhas Seychelles
Foto: Shane Gross / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

Os xaréus-olho-grande são populares como peixes de pesca esportiva e para consumo, e enfrentam ameaças como a sobrepesca e a destruição do habitat. Neste local a população está crescendo porque são protegidos dentro do parque marinho de não-pesca.

A fotografia foi tirada a pedido da Fundação Save Our Seas (SOSF), que defendeu e agora administra a AMP.

Conservação vs Turismo, por Peter McGee

Em Oslob, nas Filipinas, tubarões-baleia (Rhincodon typus), espécie ameaçada de extinção, são alimentados diariamente por turistas que utilizam barcos para vê-los.

Tubarões-baleias são alimentados por turista em reserva marinha nas Filipinas
Foto: Peter McGee / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

Essa prática gera benefícios econômicos para as comunidades locais e incentiva a proteção dos tubarões-baleia contra a pesca e a prática de cortar as barbatanas, que são letais.

Embora existam regulamentações para minimizar o contato humano e o tempo de alimentação, ainda há preocupações quanto ao impacto a longo prazo no comportamento natural dos tubarões, em seus padrões migratórios e em sua saúde geral.

Categoria Regiões Polares
O encontro, por Vadim Makhorov

A foto premiada na categoria Regiões Polares mostra um grupo de morsas em repouso na Ilha Ratmanov, na fronteira marítima entre a Rússia e os Estados Unidos.

A morsa-do-pacífico (Odobenus rosmarus divergens) é a maior da espécie – os machos podem atingir até quatro metros de comprimento e pesar até 1,5 tonelada.

Morsas em repouso na fronteira marítima entre a Rússia e os Eua. Fotografia ambiental premiada no concurso da Fundação Alberto de Mônaco
Foto: Vadim Makhorov / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

Toda a costa sul da ilha é ocupada por morsas, a maioria machos. As fêmeas só vêm para terra durante a época de reprodução. Elas podem parecer imóveis em terra, mas são rápidas e ágeis na água.

Compreender como elas utilizam a costa ajuda a manter os encontros seguros tanto para a vida selvagem quanto para as pessoas.

Banquete de pinguins, por Lucas Bustamante

Na foto, dois skuas-pardos lutam por um filhote de pinguim que foi arrancado de sua colônia ainda vivo. Com seus bicos afiados, semelhantes aos de um falcão, e pequenas garras nas pontas dos pés palmados, são predadores eficientes.

Pàssaros atacam um filhote de pinguim
Foto: Lucas Bustamante / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

Aves marinhas migratórias, o skua-pardo, ou skua-antártico (Stercorarius antarcticus), e o skua-de-McCormick (Stercorarius maccormicki), nidificam em colônias em costas rochosas e sem neve na Antártica durante a época de reprodução.

Embora se alimentem principalmente de peixes e krill, também predam os ovos e filhotes de outras aves marinhas, particularmente pinguins, quando estas nidificam no continente entre outubro e março.

Os exploradores, por Panos Laskarakis

Esta ursa polar e seu filhote (Ursus maritimus) parecem exploradores experientes nesta região montanhosa do arquipélago de Svalbard. A encosta íngreme representa um desafio para o filhote na neve profunda durante o tempo enevoado.

Ursa polar e seus filhotes explorando paisagem coberta de neve
Foto: Panos Laskarakis / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

Os filhotes de urso polar caminham logo atrás da mãe para conservar energia, manter-se aquecidos e viajar em segurança. Esse comportamento é crucial para a sobrevivência, já que percorrem longas distâncias, às vezes mais de 100 km, das tocas até o gelo marinho.

Prêmio Escolha do Público
Os coalas estão morrendo para que você diminua a velocidade, por Doug Gimesy

A imagem de um coala atropelado por um carro na Austrália foi a fotografia ambiental eleita a melhor ao ano pelo público. A imagem foi inscrita na categoria Humanidade vs. Natureza.

Coala atropelado em estrada da Austrália. A imagem foi premiada na categoria Escolha do Público no concurso de fotografia ambiental
Foto: Doug Gimesy / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

Como os coalas (Phascolarctos cinereus) frequentemente atravessam estradas para acessar comida, parceiros ou abrigo, os atropelamentos representam uma grande ameaça para a espécie.

Mas os atropelamentos não são apenas uma questão de conservação; são um enorme problema de bem-estar animal. Embora alguns possam ser encontrados, resgatados e tratados, muitos rastejam para o mato para morrer de forma lenta e horrível, ou vivem mutilados e com dor. Motoristas que reduzem a velocidade podem ajudar a evitar tantas mortes, dor e sofrimento.

Categoria Escolha do Estudante
Para cima é para baixo, por Arnaud Farré

O fotógrafo que venceu na categoria Florestas, inscreveu uma imagem também na categoria Oceano e está foi a escolhida pelo voto dos Estudantes. A foto mostra uma baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) e seu filhote mergulhando na Ilha da Reunião, no Oceano Índico.

Baleia-jubarte e seu filhote mergulhando na Ilha da Reunião, Oceano Índico
Foto: Arnaud Farré / Prêmio de Fotografia Ambiental 2026 – Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.

De junho a outubro, um grande número de baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) se reúne na Reserva Marinha, que tem 35 quilômetros quadrados de recifes protegidos, no Cabo La Houssaye, para acasalar e dar à luz.

Na reserva é proibido o voo de drones, mas a baleia da imagem e o seu filhote mergulharam a apenas 200 metros da praia, fora dos limites da reserva, o que permitiu a captura da foto.


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