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Jantar da Casa Branca

Interrompido por tiroteio, jantar de correspondentes da Casa Branca é remarcado para hotel que foi de Trump

Presidente dos Estados Unidos confirmou que vai discursar no evento e presidente da associação dos correspondentes mencionou protocolos mais restritos de segurança




Pouco mais de um mês após a interrupção do jantar dos correspondentes da Casa Branca por um atirador, a associação que organiza o evento anunciou uma nova data, com a presença de Donald Trump.

Agora marcado para 24 de julho, o novo jantar acontecerá em outro hotel de Washington D.C. A promessa é de que o esquema de segurança será mais reforçado do que o anterior, que impediu que Cole Tomas Allen entrasse no salão principal em 25 de abril.

Anunciado em nome da “liberdade de imprensa”, o evento acontece enquanto a popularidade de Trump segue caindo e o autor do atentado aguarda julgamento.

Novo lugar e segurança reforçada

A Associação dos Correspondentes da Casa Branca não divulgou oficialmente o local do novo evento, mas o presidente se antecipou.

De acordo com Trump, o novo jantar terá como sede o Waldorf Astoria Hotel, a 1,6 km da Casa Branca, metade da distância do Washington Hilton, onde o primeiro jantar aconteceu.

O Waldorf Hotel é um velho conhecido do presidente: ele era um Trump Hotel, de propriedade do republicano, e mudou de nome em 2022. Na época, a Trump Organization vendeu a propriedade para o GCI Merchant Group em um acordo de quase US$ 400 milhões.

Ele, que trava uma batalha judicial para a construção de um salão de baile na Casa Branca, não deixou de mencionar o fato de que já foi dono do hotel. “Um prédio e salão de baile que eu mesmo construí”, disse.

Salão de baile do Waldorf Astoria Hotel sediará o novo jantar dos correspondentes da Casa Branca. Foto: Waldorf Astoria Hotel/Divulgação

A presidente da associação dos correspondentes afirmou que as medidas de segurança serão “significativamente reforçadas”, com novos procedimentos de acesso. Os outros detalhes sobre a segurança do local serão compartilhados somente com os participantes do evento, segundo ela.

“Este jantar não será apenas uma oportunidade para executar nosso programa. Será uma declaração de que a violência não tem lugar na vida americana e que a imprensa livre não se deixará intimidar pelo silêncio.”

A expectativa é de que o próximo jantar seja “mais intimista” do que o anterior, segundo a carta da correspondente.

Trump vai discursar no evento

Ao comentar sobre a nova data do jantar dos correspondentes, Trump disse que aceitou o convite para discursar.

“Não sei se farei as mesmas declarações, pelo menos no que diz respeito a certas pessoas, mas descobriremos em breve”, afirmou, chamando a remarcação do evento de um “sinal de força e coragem”.

Trump não teve tempo de discursar durante o primeiro jantar, interrompido ainda no início. A presença dele no evento, algo inédito, foi alvo de discussões, já que o presidente não tem mantido uma boa relação com a imprensa tradicional.

A ida dele alterou até mesmo a programação. Pela primeira vez em décadas, o apresentador não era um comediante, em uma tentativa de evitar confrontos diretos durante a cerimônia.

A associação não confirmou se Oz Pearlman, que seria a atração do primeiro jantar, seguiria com o dever no novo evento.

Entre as polêmicas recentes envolvendo Trump e canais dos EUA estão a comemoração da demissão de Stephen Colbert, o pedido para a demissão de Jimmy Kimmel e a expulsão de jornalistas do Pentágono. Weijia, presidente da associação, é correspondente da CBS News, canal marcado por uma profunda crise, com acusações de “bajulação” dos seus donos ao presidente.

“Celebração da imprensa livre”

A presidente da associação, Weijia Jiang, afirmou que decidir por uma nova data para o jantar dos correspondentes não foi fácil. Em uma carta, ela disse que a escolha de refazer o evento foi fruto de muitas discussões da diretoria do órgão e aconteceu em nome do propósito do jantar: uma imprensa livre.

“Não permitiremos que um ato de violência tenha a última palavra, especialmente no ano em que refletimos sobre o 250º aniversário da América.”

Weijia falou que a associação arrecadou fundos para garantir a gratuidade daqueles que foram ao primeiro jantar e querem ir ao segundo.

Os bolsistas espalhados pelos EUA que quiserem ir ao evento e os vencedores do prêmio de jornalismo da associação também terão ajuda no custo da passagem para Washington.

A fala sobre uma imprensa livre em um jantar com a presença de Donald Trump é contraditória diante da escalada de ataques do presidente à imprensa.

Neste ano, sob a administração do bilionário, o país chegou à sua pior posição no ranking de liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteira.

Após cair sete posições, o país elenca a 64ª posição, atrás do Brasil, que subiu onze posições em um ano, ficando em 52º.

O que é o jantar dos correspondentes

Criado em 1921, o jantar dos correspondentes acontece tradicionalmente no último sábado de abril. A princípio, o evento contava com pequenas apresentações de cantores entre as refeições, a apresentação de um filme e um show.

O formato mudou na década de 1980, quando os mestres de cerimônia viraram pessoas do mundo da comédia. Desde então, os eventos acontecem em formato de sátira humorística, o que não agrada a todos os presidentes.

Além das apresentações, o jantar também serve para arrecadar fundos que financiam bolsas de estudo para alunos de jornalismo.

Ataque interrompeu jantar

Minutos após o início da cerimônia, convidados que estavam perto da entrada do salão do Hilton ouviram de oito a dez disparos.

Agentes do Serviço Secreto correram para proteger o presidente, a primeira-dama e o vice-presidente, retirando-os rapidamente do local enquanto jornalistas e convidados se abaixavam sob as mesas.

O suspeito foi identificado por autoridades americanas como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia. Ele entrou no perímetro de segurança por ser hóspede do hotel, mas não conseguiu entrar no salão.

O homem foi detido após troca de tiros com agentes, mas deixou um deles com ferimentos leves após ser atingido no colete a prova de balas.

Postadas pelos jornalistas presentes, as imagens tomaram conta das redes sociais.

Ao comparecer diante de um juiz, Tomas Allen declarou inocência. Ele aguarda julgamento na prisão.


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