O comentarista político Ahmed Douma foi condenado a um ano de prisão no Egito por suas críticas às condições dentro das prisões do país, que segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas tem 18 profissionais de imprensa atualmente atrás das grades.
Um tribunal do Cairo sentenciou Douma na quarta-feira (3) por publicar “notícias falsas e rumores dentro e fora do país que perturbariam a ordem pública” por meio de postagens de mídia social e um artigo que ele escreveu para o site de notícias The New Arab, com sede em Londres, de acordo com o CPJ.
No texto, o comentarista descreveu sua experiência pessoal como prisioneiro político – ele passou 10 anos preso e foi libertado em 2023 – , argumentando que a prisão se tornou uma ferramenta central de controle para vários governos em toda a região e no mundo.
Amhed Douma foi preso em 6 de abril na sede da Suprema Segurança do Estado após um interrogatório de seis horas e mantido por quase dois meses em prisão preventiva.
Ele foi condenado apesar do Artigo 71 da Constituição Egípcia, que afirma que “nenhuma sanção de custódia será imposta por crimes cometidos por meio de publicação”, destacou o Comitê.
“A sentença de Ahmed Douma por escrever sobre as condições da prisão é uma violação gritante do direito à expressão livre e segura. Nenhum jornalista deve enfrentar a prisão por compartilhar experiências em primeira mão ou expressar opiniões críticas”, disse a diretora regional da CPJ, Sara Qudah.
“As autoridades egípcias devem libertar imediata e incondicionalmente Douma e parar de armar o sistema legal do país para acabar com o debate público”, completou.
Quem é o comentarista político condenado
Douma é um comentarista político e um poeta cujo trabalho apareceu em vários meios de comunicação, incluindo The New Arab, Arabi21 e a plataforma independente Sotour.
Ele passou aproximadamente 10 anos na prisão por seu ativismo político antes de receber um perdão presidencial.
Após sua libertação, em agosto de 2023, ele enfrentou sanções como proibição de viagem, negação de documentos oficiais e teve que se submeter a seis interrogatórios pela Suprema Promotoria da Segurança do Estado sobre postagens de mídia social e artigos de opinião, de acordo com o CPJ.
Sua condenação segue a prisão do comentarista econômico Abdel Khaleq Farouk em outubro de 2025, que está cumprindo cinco anos de prisão por acusações quase idênticas após um julgamento que, de acordo com sua equipe de defesa, “carecia de todas as garantias de um julgamento justo”, afirmou a organização de liberdade de imprensa.
O Egito ocupa o 169º lugar entre 180 países no ranking global de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras.
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