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Newsjacking infeliz

Menino jogado a crocodilos em zoo inglês vira piada em e-mail promocional; empresa se desculpa

Wowcher, que comercializa pacotes de desconto no Reino Unido, brincou com o caso no título de um e-mail e virou alvo de críticas

computador com email marketing de promoção fazendo piada com criança jogada a crocodilos

Reprodução




Uma companhia de pacotes de desconto britânica precisou pedir desculpas após usar o caso de uma criança atirada no tanque de crocodilos de um zoológico para fazer piada em um e-mail promocional aos seus clientes.

O email foi disparado para os assinantes da Woucher dias após um menino de três anos ficar gravemente ferido na semana passada em um zoo particular de Huntingdonshire, no Reino Unido. Ele foi empurrado propositalmente no tanque por um outro visitante e foi resgatado pela equipe do espaço e corre risco de morrer.

Diante da repercussão do caso, a Wowcher decidiu ir pelo caminho do newsjacking e transmitir uma mala-direta com uma referência de mau gosto ao caso, sugerindo que ofertas se esgotariam mais rápido do que um crocodilo seria capaz de pegar uma criança.

Email marketing Wowcher associando oferta a caso de criança jogada a crocodilos
Foto: @PaulOBrien/X

A situação pegou mal e acabou com mais uma crise para a companhia, que já pertenceu ao jornal Daily Mail e não tem um bom histórico diante das autoridades britânicas.

Ela também abriu espaço para o debate de que, nem sempre, usar o breaking news a favor de uma campanha é algo favorável.

Ataque de crocodilo feriu menino

O incidente que causou comoção no país aconteceu na quinta-feira (18) no zoológico de Johnson’s of Old Hurst, em Huntingdonshire. Um menino de três anos foi jogado dentro da área dos crocodilos, mordido por ao menos um deles e retirado do local com ajuda da equipe do zoológico.

A criança segue internada em condição “grave, mas estável”, de acordo com o canal britânico BBC. A polícia prendeu um homem de 30 anos pelo crime, mas soltou o suspeito após pagamento de fiança.

De acordo com as autoridades, o homem tem deficiências graves de aprendizagem e estava no zoológico acompanhado de cuidadores. A polícia não divulgou a identidade dele, nem a da criança ferida, que continua internada.

Privado, o zoológico onde o ataque aconteceu tem o recinto dos crocodilos como uma das suas atrações principais. O local lamentou o ocorrido e anunciou que permaneceria fechado até a conclusão das investigações.

E-mail com “ofertas imperdíveis”

Dois dias após o ataque, um e-mail enviado pela Wowcher fez uma piada com o ataque de crocodilo.

“Aproveite estas ofertas mais rápido do que um crocodilo pode pegar uma criança”, diz o título.

A mensagem listava descontos em passeios e estadias turísticas, tradicionais da Wowcher. A empresa, famosa no Reino Unido e na Irlanda, funciona como uma espécie de site de compras coletivas.

A tentativa de “newsjacking”, quando a empresa se aproveita de uma notícia em voga para chamar atenção para a sua marca, foi como um tiro pela culatra.

Usuários logo publicaram imagens do e-mail nas redes sociais e o assunto causou comoção.

“Quem fez isso tem que ser demitido”, afirmou uma pessoa. “Não acredito que isso foi aprovado”, disse outra, chamando o caso de uma tática de marketing “irresponsável, desinformada, imbecil e doentia”.

“Estou absolutamente sem palavras. Como alguém pode achar que esse assunto é algo que vale a pena aproveitar? Isso passa por várias camadas de aprovação antes da publicação.”

Pedido de desculpas

Diante da crise, nesse domingo (21), um dia após o envio do e-mail, a Wowcher pediu desculpas. Um porta-voz foi o responsável pelo posicionamento em nome da companhia à imprensa.

De acordo com a empresa, a frase é “inaceitável” e não passou por aprovação de instâncias superiores. Ainda assim, eles assumiram a responsabilidade pelo ocorrido.

“Não há justificativas para isso. Pedimos desculpas e vamos tomar as medidas necessárias para que isso não aconteça novamente”, afirmou.

“A redação foi inaceitável. Nunca deveria ter sido escrita e não foi aprovada para uso. A responsabilidade é nossa e estamos analisando urgentemente as falhas em nossos processos.”

O porta-voz também pediu desculpas à família da criança.

“Reconhecemos a dor e o sofrimento que isso causou”, afirmou. Apesar do pedido de desculpas veiculado na imprensa, a companhia não falou sobre o assunto nas redes sociais, seguindo as publicações no seu Instagram e no seu Facebook sem alterações.

A companhia, criada em 2009, era de propriedade parcial do tablóide britânico Daily Mail. O jornal vendeu sua participação de 30% na Wowcher por 29 milhões de libras em 2014. Quem comprou o site foi o seu concorrente americano, o Living Social.

Histórico de polêmicas

Esta não é a primeira vez que o nome da Wowcher está envolvido em polêmicas no Reino Unido.

No ano de 2023, o órgão regulador de mercado britânico, a CMA, investigou a companhia por táticas agressivas de venda. Entre os problemas que causaram a abertura da investigação estão alegações de escassez artificial, como quando a empresa anunciava que as promoções tinham “estoque ilimitado”.

Após as investigações, o órgão regulador ordenou, em 2024, que a companhia devolvesse mais de 4 milhões de libras a mais de 870 mil clientes lesados. Ainda assim, a Wowcher opera normalmente no país.


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