O abuso online contra jogadores de futebol e integrantes de comissões técnicas atingiu uma nova escala durante a Copa do Mundo de 2026, que termina nos EUA neste domingo (19).
Segundo dados divulgados pela FIFA, o serviço de proteção em redes sociais da entidade identificou mais de 7 milhões de publicações e comentários potencialmente nocivos ou abusivos ao longo do torneio. Mais de mil mensagens consideradas ameaças graves foram encaminhadas às autoridades.
Os números fazem parte do balanço do Social Media Protection Service, sistema usado pela FIFA para monitorar conteúdos publicados em plataformas digitais durante grandes competições. Ao todo, mais de 53 milhões de posts e comentários foram analisados.
Embora a FIFA destaque o crescimento do monitoramento em relação à Copa de 2022, os números divulgados não significam que todas as 7 milhões de publicações tenham sido confirmadas como abusivas. O total corresponde aos conteúdos identificados pelo sistema como potencialmente nocivos ou ofensivos e submetidos às diferentes etapas de análise.
Abuso online na Copa: o caso Mbappé
Um dos episódios de maior repercussão durante o torneio envolveu o atacante francês Kylian Mbappé. Após a vitória da França sobre o Paraguai nas oitavas de final, a senadora paraguaia Celeste Amarilla publicou mensagens com ofensas de teor racista contra o jogador nas redes sociais.
Mbappé respondeu publicamente aos ataques, classificou a parlamentar como racista e afirmou que ela não era digna do cargo que ocupava.
Madame Celeste Amarilla,
Vous êtes une femme méprisable et indigne de sa fonction.
Vous ne représentez pas le Paraguay, ce pays qui a transpiré la passion et l’honneur tout au long de la compétition. Par votre inconscience et votre racisme décomplexé, le monde entier a déjà… pic.twitter.com/EnYmgQXvPL— Kylian Mbappé (@KMbappe) July 6, 2026
A Federação Francesa de Futebol anunciou medidas judiciais, enquanto autoridades paraguaias se distanciaram das declarações da senadora.
Posteriormente, o Ministério Público de Paris abriu uma investigação sobre as publicações. O episódio mostrou que o abuso online na Copa não ficou restrito a contas anônimas ou a reações de torcedores, mas também envolveu uma autoridade pública.
Como funcionou o monitoramento da FIFA
O sistema de proteção foi disponibilizado a jogadores, treinadores, árbitros e integrantes das delegações participantes da Copa do Mundo. A ferramenta utilizou inteligência artificial para identificar mensagens potencialmente abusivas em diferentes plataformas digitais e combinou essa triagem inicial com revisão realizada por analistas.
Do total de mais de 7 milhões de conteúdos sinalizados ao longo da competição, mais de 500 mil passaram por revisão humana. Cerca de 15 mil casos foram encaminhados para providências adicionais e mais de mil ameaças consideradas graves foram enviadas a autoridades competentes.
A FIFA também informou que tomou medidas ou notificou as plataformas sobre mais de 200 mil conteúdos considerados abusivos ou ameaçadores.
Monitoramento da fase de grupos apontou ataques racistas
A FIFA não divulgou quais jogos, seleções ou jogadores concentraram o maior número de ataques, nem informou de que países partiram as mensagens. O balanço também não apresenta uma divisão completa por tipo de abuso ao longo de todo o torneio.
Em um balanço anterior, restrito à fase de grupos, a FIFA informou que 11% das mensagens verificadas como abusivas tinham motivação racial. A proporção era três pontos percentuais superior à registrada na mesma etapa da Copa de 2022.
Naquele período, cerca de 6 milhões de posts e comentários foram analisados. Aproximadamente 225 mil conteúdos foram encaminhados para revisão humana e 89 mil foram classificados como abusivos após essa avaliação.
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