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Riscos no TikTok

TikTok supera Instagram na exposição de jovens a conteúdo de risco incluindo suicídio, diz pesquisa britânica

Levantamento da Molly Rose Foundation mostra que 76% dos adolescentes expostos a conteúdo de alto risco o encontraram no TikTok, mais de três vezes o índice do Instagram

Smartphone com tela do TikTok na loja de aplicativos



O TikTok é a rede social em que adolescentes mais relatam encontrar conteúdo de alto risco relacionado a suicídio, automutilação, depressão e transtornos alimentares. Entre jovens de 13 a 17 anos expostos a esse tipo de material, 76% disseram tê-lo visto na plataforma chinesa, mais de três vezes o índice registrado pelo Instagram, de 23%.

Os dados são de uma nova pesquisa da Molly Rose Foundation, que ouviu em abril e maio 1.825 adolescentes de 21 escolas do Reino Unido. O levantamento analisou o conteúdo encontrado nas redes sociais na semana anterior à pesquisa.

Os números ganham importância neste 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, ao quantificar a frequência com que adolescentes entram em contato com conteúdos que podem incentivar, promover ou normalizar comportamentos de risco.

O que os adolescentes encontram nas redes

A pesquisa classificou como de alto risco conteúdos relacionados a suicídio, automutilação, depressão e transtornos alimentares que podem incentivar ou promover esses comportamentos ou apresentá-los como normais ou atraentes. Os dados mostram que a exposição é particularmente elevada entre meninas.

  • 34% dos adolescentes viram conteúdo de alto risco relacionado a suicídio, automutilação, depressão ou transtornos alimentares;
  • entre as meninas, foram 47%, contra 23% dos meninos;
  • 22% viram publicações sobre desesperança, desespero ou pensamentos suicidas;
  • 7% encontraram conteúdo que apresentava pensamentos suicidas como normais ou atraentes e 5%, material que incentivava ou promovia o suicídio;
  • 11% viram conteúdo mostrando automutilação; 7%, material que a normalizava ou apresentava como atraente; e 5%, conteúdo que a incentivava ou promovia;
  • 14% encontraram conteúdo que normalizava ou apresentava como atraentes sentimentos de depressão e 10% viram material que incentivava ou promovia transtornos alimentares.

TikTok concentra a exposição

Além de medir a presença desses conteúdos, o levantamento perguntou onde e com que frequência eles apareceram. O TikTok se destacou tanto na exposição a material de alto risco quanto entre os conteúdos que os próprios adolescentes disseram considerar perturbadores.

  • 76% dos adolescentes expostos a algum conteúdo de alto risco disseram tê-lo encontrado no TikTok, contra 23% no Instagram;
  • entre os que viram conteúdo que incentivava ou promovia o suicídio, 22% disseram tê-lo encontrado dez vezes ou mais em pelo menos uma plataforma durante a semana;
  • 97% dos adolescentes expostos a conteúdo de alto risco sobre suicídio também encontraram conteúdo de alto risco relacionado à depressão;
  • entre 59% e 62%, dependendo do tipo de material, encontraram conteúdo potencialmente nocivo em feeds de recomendação algorítmica;
  • 33% dos adolescentes disseram já ter encontrado nas redes algum conteúdo que os deixou incomodados ou angustiados; 22% citaram o TikTok, mais que o dobro dos 10% que citaram o Instagram.

O predomínio do TikTok não ficou restrito a um tipo de material. Segundo a Molly Rose Foundation, a plataforma teve participação desproporcional na exposição dos adolescentes em todas as oito categorias de conteúdo de alto risco analisadas.

A fundação já havia apontado problemas semelhantes no TikTok. Em pesquisa divulgada em 2025, 55% das publicações nocivas recomendadas pela página “For You” analisadas pela organização continham referências a pensamentos de suicídio ou automutilação.

Outro levantamento encontrou mecanismos capazes de levar usuários de vídeos sobre esses temas a buscas e conteúdos relacionados.

Documentos internos do TikTok tornados públicos em processos judiciais também mostraram discussões dentro da empresa sobre riscos da plataforma para usuários mais jovens.

Meta aparece mais nos tribunais, mas ações também atingem TikTok

A divulgação da pesquisa ocorre em um momento em que a Meta, dona de Instagram e Facebook, ganhou grande visibilidade em uma série de processos sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes.

Em agosto, a companhia fechou um acordo bilionário com estados americanos e aceitou novas restrições para usuários menores de idade.

Mas o TikTok também é alvo dessa frente judicial. A plataforma aparece ao lado de Meta, Snapchat e YouTube em ações que acusam as empresas de desenvolver produtos capazes de estimular uso compulsivo e contribuir para danos à saúde mental de jovens.

Um caso movido por um distrito escolar do Kentucky fazia parte de uma frente de cerca de 1.200 processos semelhantes contra grandes plataformas.

Há também ações diretamente relacionadas a suicídio e automutilação. Na Itália, dez famílias entraram com uma ação coletiva contra algoritmos da Meta e do TikTok, entre elas os pais de uma menina de 12 anos que morreu por suicídio.

As famílias alegam que sistemas de recomendação apresentaram aos jovens conteúdos relacionados a depressão e automutilação. As acusações ainda estão sendo discutidas na Justiça.

Fundação foi criada após morte de Molly Russell

A Molly Rose Foundation foi criada pela família de Molly Russell, adolescente britânica que morreu aos 14 anos, em 2017, depois de ter sido exposta a grandes quantidades de conteúdo relacionado a depressão, automutilação e suicídio nas redes sociais.

Em 2022, uma investigação judicial concluiu que o conteúdo online contribuiu para sua morte. Desde então, a fundação atua na prevenção do suicídio entre jovens e na pesquisa e defesa de medidas para reduzir riscos em plataformas digitais.

O pai da menina, Ian, tornou-se uma das vozes mais relevantes no país em temas ligados ao controle das redes sociais, como regulamentação e responsabilização das plataformas.


No Brasil, pessoas que precisam de apoio emocional podem procurar gratuitamente o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.


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