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Entrada proibida

Casa Branca libera jornalistas após ordem judicial, mas barra CNN do Air Force One; quem são os repórteres no centro da disputa

Os barrados são repórteres experientes, veteranos da cobertura política e conhecidos por fazer perguntas duras ao governo Trump

Kaitlan Collins, da CNN, e Donald Trump durante coletiva na Casa Branca

Kaitlan Collins, chefe dos correspondentes da CNN na Casa Branca, um das insultadas pelo presidente dos EUA (foto: reprodução X)




Os veículos de imprensa CNN, MS NOW e Politico recuperaram na quinta-feira (24) o acesso à Casa Branca que estava bloqueado desde sábado, mas só depois de uma manhã de novos bloqueios e de voltarem à Justiça para reclamar que a ordem judicial que determinava a devolução imediata das credenciais não estava sendo cumprida.

Os advogados apresentaram uma petição emergencial afirmando que os réus haviam “repetidamente violado” a decisão, e o juiz Timothy Kelly deu ao governo prazo até 12h30, no horário de Washington, para responder.

Por volta do meio-dia, a situação mudou. Profissionais dos três veículos voltaram a ser autorizados a entrar. Betsy Klein, da CNN, conseguiu acesso depois de quatro tentativas, e Laura Barrón-López, da MS NOW, recebeu de volta a credencial que havia sido confiscada horas antes.

A ordem temporária de Kelly vale por 14 dias e alcança as credenciais de 78 jornalistas de CNN, MS NOW e Politico que haviam perdido acesso ao complexo.

Mesmo após restaurar o acesso de CNN, Politico e MS NOW à Casa Branca por ordem judicial, o embate com a imprensa continuou. Para a viagem de Donald Trump ao Tennessee neste sábado (26), a Casa Branca retirou a CNN da escala de emissoras que viajariam no Air Force One e colocou em seu lugar a conservadora Real America’s Voice News.

A CNN estava prevista no revezamento do pool de televisão, sistema pelo qual as emissoras dividem a cobertura do presidente e distribuem as imagens às demais redes.

Como tudo começou

O veto foi anunciado por Donald Trump em 18 de setembro, quando acusou os três veículos de publicar “fake news”, “ficção” e “mentiras”. No dia seguinte, jornalistas que chegaram à Casa Branca para trabalhar tiveram suas credenciais desativadas ou confiscadas.

O processo foi aberto conjuntamente pelos três veículos, tendo também como autores individuais os correspondentes Betsy Klein, Akayla Gardner e Cheyenne Haslett.

Veja os principais nomes barrados.

Kaitlan Collins já teve outros confrontos com Trump

Kaitlan Collins não é uma das três jornalistas que aparecem como autoras individuais do processo, mas é correspondente-chefe da CNN na Casa Branca e uma das principais profissionais da emissora na cobertura de Trump.

Nesta semana, ela conseguiu acompanhar o presidente na Assembleia Geral da ONU porque estava credenciada pelas próprias Nações Unidas.

Ao receber uma pergunta de Collins, Trump disse estar surpreso com a presença da CNN e afirmou: “Você não deveria estar aqui fazendo a minha cobertura.”

Ela respondeu que a ONU havia permitido a entrada da emissora. A própria Casa Branca depois publicou o vídeo do confronto na Trump TV.

Os dois já haviam se enfrentado antes. Em 2018, durante o primeiro governo Trump, Collins foi excluída de um evento no Jardim das Rosas depois de fazer perguntas ao presidente sobre Michael Cohen, seu ex-advogado. A Casa Branca disse na época que as perguntas haviam sido “inapropriadas”.

Em 2023, durante encontro com jornalistas na CNN, Collins insistiu para que Trump respondesse por que havia mantido documentos sigilosos depois de deixar a Presidência. Ele a chamou de “nasty person”, ou “pessoa desagradável”.

Betsy Klein tentou entrar quatro vezes nesta quinta

Betsy Klein, repórter sênior da CNN na Casa Branca, foi a jornalista da emissora impedida de entrar no sábado e é uma das autoras individuais do processo contra o governo.

Ela trabalha na cobertura presidencial da CNN desde 2015, tendo iniciado no governo Barack Obama, e acompanhou também as administrações Trump e Biden, campanhas eleitorais, viagens presidenciais e atividades da primeira-família.

Nesta quinta-feira, Klein voltou à Casa Branca após a decisão de Kelly. Foi recusada quatro vezes antes de finalmente conseguir entrar por volta do meio-dia. Um fotojornalista da CNN também havia sido barrado pela manhã, enquanto um produtor conseguiu acessar o complexo.

Nesta semana, Klein também participou da cobertura de um evento de Melania Trump durante a Assembleia Geral da ONU. O gabinete da primeira-dama concedeu credenciais a CNN e Politico para o evento, mesmo com os dois veículos proibidos naquele momento de entrar na Casa Branca.

Akayla Gardner cobre política, eleições e economia

Akayla Gardner, correspondente da MS NOW na Casa Branca, também integra o processo. Foi ela quem tentou entrar para trabalhar no sábado, primeiro dia de aplicação do veto, e teve seu passe desativado.

Antes de entrar na MS NOW, Gardner cobriu os governos Biden e Trump para a Bloomberg e acompanhou a eleição presidencial de 2024. Suas reportagens incluem decisões da Casa Branca, política econômica e estratégias eleitorais.

Depois de ser barrada, Gardner publicou um relato em primeira pessoa sobre o episódio, incluindo a preparação para trabalhar naquele fim de semana já sabendo que poderia encontrar problemas para acessar o complexo.

Cheyenne Haslett cobre IA, tecnologia e saúde

Cheyenne Haslett, repórter do Politico na Casa Branca, é a terceira jornalista que figura individualmente como autora da ação. Ela também foi impedida de entrar no sábado e teve sua credencial confiscada.

Entre suas áreas de cobertura estão saúde, tecnologia e inteligência artificial.

Um dia depois do início do bloqueio, Haslett assinou com Sophia Cai uma reportagem sobre a relação do governo Trump com a Anthropic e as dificuldades da administração para acompanhar as mudanças na indústria de IA.

A empresa, criadora do Claude, também foi tema recentemente de um relatório sobre o uso do chatbot em operações de influência e desinformação.

Nesta quinta-feira, porém, não foi Haslett quem tentou entrar pela manhã. O Politico informou que outro correspondente, um homem cujo nome não foi divulgado, teve seu passe confiscado pelo Serviço Secreto.

Laura Barrón-López perdeu o passe e o recuperou horas depois

Pela MS NOW, quem tentou entrar depois da decisão judicial nesta quinta-feira foi Laura Barrón-López, correspondente da Casa Branca. Ela passou pelo primeiro bloqueio de segurança, mas sua credencial apareceu como desativada no controle seguinte e acabou confiscada.

Horas depois, Barrón-López voltou ao local e conseguiu entrar. A jornalista informou ao vivo que seu passe havia sido devolvido.

Barrón-López trabalhou anteriormente na PBS NewsHour e no Politico e cobre Presidência, eleições, imigração e política nacional.

Bloqueio também interrompeu revezamento das TVs

A retirada do acesso teve efeitos além das credenciais individuais. Na segunda-feira, seria a vez da CNN assumir seu posto no pool de televisão que acompanha o presidente.

Como a emissora estava impedida de entrar, ABC, CBS, NBC e Fox News decidiram não substituí-la e suspenderam o revezamento.

No mesmo dia, a Casa Branca lançou a Trump TV, serviço de streaming com imagens e vídeos oficiais selecionados pelo governo.

O pool foi restabelecido, mas a CNN foi barrada no AirForce One e a entrada de uma emissora alinhada ao governo é um sinal de que a batalha ainda está longe de acabar mesmo diante de decisões judiciais favoráveis aos veículos de imprensa.

O advogado das três empresas, Theodore Boutrous Jr., havia dito antes dessa nova decisão que, na interpretação dos autores da ação, a ordem do juiz também abrangia o acesso ao pool.


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