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Vida digital

‘Índice do iPhone’: preço do telefone da Apple no Brasil é o segundo maior do mundo, mas banda larga é das mais baratas

Índice do Deutsche Bank funciona como uma régua para entender a forma como impostos, tarifas de importação e outros custos afetam as vidas dos moradores de um determinado país

aparelhos iPhone 17 enfileirados

Telefone usado para medir o 'ranking do iPhone' no mundo foi o 17 Pro Max Foto: Apple Store




Quem estiver presenteando o pai com um iPhone neste domingo pode ser considerado um excelente filho: no Brasil, um cidadão paga internet mais barata do que um japonês, mas precisa trabalhar trabalhar muito mais para comprar um smartphone da Apple, mostra o ranking da pesquisa “Mapping the World’s Prices 2026″ do Deutsche Bank.

O relatório serve para medir o custo de vida pela análise de preços praticados em cidades dos seis continentes e traz, entre algumas tabelas, o ranking do iPhone, visto como uma régua para entender a situação econômica de um país.

Em relação aos telefones da Apple, as notícias não são boas para os brasileiros: o país é o segundo pior lugar analisado para se comprar o aparelho.

Já em outro índice, da conectividade, a situação é um pouco melhor: o Brasil não está no topo dos países mais baratos, mas tem a internet mais em conta do que em outras grandes cidades do mundo.

Como o índice é medido

O relatório do Deutsche Bank usa o melhor modelo do iPhone mais recente disponível para medir o índice entre os países. Neste ano, o escolhido foi o iPhone 17 Pro de 256GB. No Brasil, ele custa R$ 11.499.

A pesquisa reúne os preços desses aparelhos diretamente nos sites oficiais da Apple em cada país. Caso não haja uma loja oficial no país em questão, os analistas usam o preço praticado em lojas varejistas daquele local.

O valor, coletado na moeda local, é então transformado em dólar e a comparação acontece.

A pesquisa estabelece o preço do iPhone nos EUA como uma “base 100” e compara os valores dos mercados de outros países a partir dessa referência. Por exemplo: se em um país o índice é 219, significa que o aparelho custa 2,19 vezes o preço americano.

Por que o preço do iPhone importa?

O iPhone tem a mesma composição tecnológica e de materiais em qualquer lugar do mundo, ou seja, o preço final dele para o cliente funciona como um barômetro de políticas comerciais e fiscais.

Quando comparamos o quanto uma pessoa paga por um iPhone de acordo com o país, é possível entender como impostos, tarifas de importação, custos de distribuição e efeitos cambiais afetam aquela região.

Em resumo: o objeto de desejo universal vira uma régua para entender o custo de vida relativo de cada nação.

A análise também considera a variação dos países no índice de acordo com o ano. Em 2017, o iPhone usado para fazer esse comparativo foi o 7.

Brasil e Turquia têm o pior índice

O preço do iPhone no Brasil só perde para o da Turquia, em uma análise que mediu preços de 41 nações. Lá, o smartphone da Apple custa US$ 2.592.

O valor é 219% maior do que o praticado nos EUA. Em segundo lugar fica o Brasil, com R$ 2.260, 191% do preço dos EUA.

No caso da Turquia, os motivos do preço tão alto são os impostos elevados e a crise cambial vivida no local. Nos últimos dez anos, a lira turca perdeu 92% do seu valor em relação ao dólar.

Além disso, o país cobra uma taxa de registro de IMEI para todos os aparelhos comprados no exterior. O imposto tem como intuito evitar a prática comum de turcos de comprar smartphones no exterior para fugir dos impostos elevados.

O valor dessa taxa é de US$ 1.147, somente US$ 34 mais barato do que o preço do telefone nos EUA.

Já no caso do Brasil, a pesquisa do Deutsche Bank listou políticas tarifárias aplicadas a produtos internacionais, que tentam encorajar a produção local de aparelhos.

Assim como na Turquia, a desvalorização da moeda local em relação ao dolar também entrou na lista de motivos para a péssima colocação do Brasil na lista.

Além do Brasil, outros países mal colocados do ranking do iPhone foram o Egito, a Turquia e a Noruega.

Os melhores colocados

Na outra ponta do ranking, com o melhor índice no ranking de compra do iPhone, está o Japão. No país, o aparelho custa US$ 1.121, 5% a menos do que nos EUA.

Curiosamente, o Deutsche Bank também relaciona o valor baixo à desvalorização da moeda local, o iene, em relação ao dólar. Ao contrário do Brasil, porém, a combinação dessa moeda enfraquecida com outros fatores ajuda na boa colocação do Japão no ranking.

Entre os “outros fatore” apontados pela pesquisa estão os baixos índices de inflação após a pandemia, o crescimento salarial acelerado e a queda dos preços gerais no país, que tornaram o custo de vida menor.

Além do Japão, estão no topo da lista a Coreia do Sul e Hong Kong.

Brasil tem bom índice de acesso à internet

Outro importante indicador do mapeamento do Deutsche Bank foi o custo mensal de acesso à internet em diferentes partes do mundo. O índice em questão aferiu o valor mensal que se paga para ter planos de 60 Mbps ou mais com dados ilimitados em 69 cidades.

Assim como no caso do índice do iPhone, todos os valores levantados foram convertidos para dólares americanos (USD) para permitir a comparação.

Na contramão do ranking do iPhone, porém, o Brasil teve bons resultados no índice de custo de internet em relação a grandes centros financeiros globais.

As duas cidades do país que foram medidas foram Rio de Janeiro e São Paulo. Elas ocuparam, respectivamente, a 54ª posição, com US$ 21,70 por mês, e 56ª posição, com US$ 21,20 por mês.

O país com acesso mais caro foi os Emirados Árabes Unidos, com Dubai na liderança (US$ 94,70), seguido de Abu Dhabi (US$ 89,70). Por outro lado, a Índia lidera o ranking das mais baratas, com Delhi no primeiro lugar, custando US$ 7,30 e Mumbai no segundo, custando US$ 9,50.

Em Tóquio, onde o iPhone é mais barato, o custo da internet é de US$ 30,00, de acordo com a pesquisa.

Por que a internet é mais barata no Brasil?

A pesquisa não explica por que Índia e Brasil têm internet mais barata em relação a grandes potências econômicas. Uma das justificativas pode ser que essas nações emergentes tendem a ter custos menores em categorias de serviços e utilidades, o que acaba se expandindo para os serviços de conectividade.

O que a análise aponta, porém, é que os custos caíram nos dois países na última década, especialmente na Índia.

Enquanto Délhi viu uma redução de 68,7% no preço da internet desde 2016, Mumbai teve redução de 51,1%. No Brasil, apesar de existirem, as reduções são mais tímidas. No Rio, ela foi de 14%, já em São Paulo, de 5% em uma década.


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