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Porta-voz de Trump sai

Porta-voz que fala em nome de Trump surpreende ao deixar o cargo: quem é Karoline Leavitt e por que ela vai sair?

Donald Trump anunciou saída da secretária, que atua como porta-voz do presidente, pouco após a volta dela de licença-maternidade para se dedicar à família, mas jornais questionam se esse seria o único motivo do seu afastamento

Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca

Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, anunciou que vai deixar o cargo Foto: Gage Skidmore/Creative Commons




Pouco mais de um ano e meio após assumir o cargo de secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt vai deixar a cadeira, em que atua como porta-voz oficial do presidente Donald Trump, respondendo a perguntas em entrevistas coletivas em nome do governo e aconselha sobre estratégias e ações.

A saída dela foi confirmada pelo presidente Trump, que sinalizou que sua confiança para com a secretária seguiria para além do emprego. Segundo o presidente, ela deve seguir como uma conselheira externa, fortalecendo não só o governo como também o partido Republicano.

Ao entrar no cargo com apenas 27 anos, Leavitt quebrou o recorde de pessoa mais jovem da história dos EUA a virar secretária de imprensa. Ela superou Ron Ziegler, que tinha 29 anos quando foi nomeado por Richard Nixon em 1969.

Além de ser a mais jovem, ela também foi a primeira secretária de imprensa da história a estar grávida durante seu mandato. Foi por causa da família que ela justificou a sua saída do cargo.

Alguns analistas, porém, questionaram se a família seria o único motivo para a mudança, após um período em que ela representou o governo, teve embates diretos com jornalistas seguindo a cartilha do chefe, e mudou a estrutura da cobertura da Casa Branca, abrindo espaço para influenciadores favoráveis ao presidente.

Anúncio de saída

Quem anunciou a saída de Leavitt do cargo de secretária de imprensa da Casa Branca foi Donald Trump, em publicação nas suas redes sociais, dias após o The Washington Post revelar que o presidente deixou o avião presidencial na Turquia sem que ninguém soubesse – inclusive os jornalistas que estavam a bordo – devido a uma suposta ameaça do Irã.

Trump afirmou que ela ficaria no cargo até o fim do mês e que, em seguida, passaria a se dedicar à sua família.

“Entendo e respeito essa decisão”, afirmou o presidente.

Trump chamou a secretária de “uma das minhas assessoras de maior confiança” e disse que ela continuará como uma das principais conselheiras dele e “com uma voz influente dentro do Partido Republicano”.

“Karoline foi uma das melhores secretárias de imprensa da Casa Branca na história do cargo. Obrigada pelo trabalho bem feito!”

Família foi justificativa

A saída de Leavitt do cargo aconteceu pouco após ela voltar de uma licença maternidade. Em publicação nas redes sociais, a secretári disse que o nascimento do seu segundo filho foi o grande motivador para a saída do emprego.

“A verdade é que, desde que voltei à Casa Branca após o nascimento da minha filha, tenho sentido no coração que não consigo ser a melhor mãe que meus dois filhos pequenos merecem enquanto dedico o tempo, a energia e a atenção constantes que o cargo de secretária de imprensa da Casa Branca exige.”

Ela descreveu a conciliação da maternidade com um dos trabalhos mais exigentes do mundo como o “desafio mais recompensador da vida”.

Assim como indicado por Trump, Leavitt afirmou que vai continuar sendo uma “voz ativa” e “defensora ferrenha” do MAGA e do Partido Republicano. Ela também mencionou os democratas, a quem chamou de “ameaça existencial”.

Passagem conturbada


O papel de secretária de imprensa da Casa Branca é, de fato, desafiador e Leavitt viveu alguns momentos conturbados ao lado de Trump nesse um ano e meio de cargo.

O primeiro deles aconteceu assim que ela iniciou o seu mandato. Na primeira coletiva de imprensa que deu, Leavitt disse que o governo de Joe Biden queria usar US$ 50 milhões dos impostos americanos para enviar preservativos a Gaza. A afirmação era falsa.

Por mais de uma vez, Leavitt chamou repórteres de “jornalistas esquerdistas” e os acusou de interpretações tendenciosas dos fatos. Ela também criou um espaço para “novas mídias” dentro das coletivas de imprensa. As novas mídias em questão eram, em sua maioria, blogueiros conservadores, o que criou muita polêmica.

O problema mais recente aconteceu antes da licença maternidade da secretária, durante o jantar dos correspondentes da Casa Branca, em 25 de abril de 2026. Uma tentativa de atentado contra o presidente terminou com o local evacuado antes mesmo do começo do evento.

Leavitt estava sentada a duas cadeiras de Trump, ao lado da primeira-dama Melania, e foi uma das pessoas retiradas às pressas do local. Toda a situação aconteceu pouco antes dela dar à luz sua filha, que nasceu em 1º de maio.

Péssimo timing

A saída da secretária aconteceu em um momento difícil para a popularidade de Donald Trump. A guerra no Irã não toma os caminhos esperados pelo governo, com a queda vertiginosa do número de mísseis americanos.

Além disso, Trump vive ameaças de morte pelo Irã e protagonizou uma fuga cinematográfica do Air Force One após uma suspeita de atentado, abandonando sua equipe para trás. Na ocasião, quem estava no avião abandonado não era Leavitt, e sim o diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung.

O mal desempenho dos EUA durante a guerra também aumentou as tensões do governo americano com os jornalistas. Apesar de não partir diretamente do departamento de Leavitt, o governo anunciou uma caça às fontes de repórteres dentro do serviço militar.

Alegando risco à segurança nacional pela divulgação de informações sensíveis eles abriram, inclusive, ações judiciais para tentar levar jornalistas ao banco de testemunhas.

Saída pode ter outros motivos, diz jornal

A imprensa internacional classificou a saída de Leavitt como “repentina”. Um relato de bastidores da New York Magazine afirma que a família não foi o único motivo da desistência do cargo, mas sim o comportamento de Trump.

Segundo a publicação, Leavitt sofreu forte pressão do presidente durante a sua licença-maternidade. Trump teria “ligado repetidas vezes para perguntar quando ela voltaria”.

Outras publicações mais tradicionais dos EUA, porém, como o The Washington Post e o The New York Times, não fizeram grandes julgamentos de valor sobre a saída da secretária.

Os jornais declaradamente “de esquerda” ou “de direita”, porém, reagiram de forma compatível com a polarização vivida no país atualmente.

Enquanto o comentarista Stephen Miller, da Fox News, afirmou que Leavitt é um “modelo para milhões de jovens mulheres” e lamentou a sua saída, a revista The Advocate, de defesa aos direitos LGBTQIAP+, afirmou que ela “contaria a sua última mentira no púlpito da Casa Branca neste mês”.

Quem é Karoline Leavitt

Nascida em New Hampshire, Leavitt se formou em comunicação e ciência política no Saint Anselm College. Ela foi estagiária na Fox News, rede de TV alinhada à direita e ao presidente. Ela também foi estagiária no gabinete de imprensa da Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump.

Após concluir seus estudos em 2019, Leavitt integrou a equipe da Casa Branca. A princípio, ela foi redatora de discursos presidenciais e, em seguida, foi assistente de secretária de imprensa sob a liderança de Kayleigh McEnany.

Ela também foi porta-voz da campanha presidencial de Trump em 2024, seu último emprego antes de assumir como a secretária mais jovem da história.

Apesar da experiência dentro da campanha e do governo, a indicação dela foi inusitada, de acordo com análises da época. Afinal, Leavitt não tinha um passado extenso em veículos de imprensa.

A secretária que ocupava o mesmo cargo que ela no governo de Joe Biden, Karine Jean-Pierre, por exemplo, foi analista política da NBC News e da MSNBC.

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