O governo de Donald Trump voltou a defender que jornalistas não têm direito garantido de acesso à Casa Branca, mesmo depois de uma ordem judicial para devolver as credenciais de profissionais da CNN, MS NOW e Politico e de uma nova cobrança do juiz pelo cumprimento da decisão, que não havia sido inicialmente respeitada.
“Estar na Casa Branca é um privilégio. Não é um direito”, afirmou o procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, em entrevista ao programa “This Week”, da ABC News, neste domingo (27).
Blanche negou que a atitude do presidente deva ser descrita simplesmente como uma proibição de acesso. Segundo ele, Trump está “cansado” de veículos que, na avaliação do presidente, se recusam a divulgar notícias com precisão.
“Privilégio, não direito”
A declaração reafirma a posição que a administração Trump já vinha adotando desde que barrou jornalistas da CNN, MS NOW e Politico por discordar da cobertura dos três veículos.
A própria Casa Branca publicou em 21 de setembro um comunicado intitulado “White House Access Is a Privilege — Not a Right” (“Acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito”).
O governo argumentou que a Primeira Emenda garante aos veículos liberdade para publicar, mas não um passe permanente, lugar na sala de briefing ou participação no pool presidencial.
Na entrevista à ABC, a apresentadora Martha Raddatz perguntou diretamente a Blanche o que a Primeira Emenda significava para ele. O procurador-geral respondeu que a imprensa é livre para publicar o que quiser, mas voltou a separar essa liberdade do acesso físico à sede do governo.
“Quando se trata da Casa Branca, esta é a casa do povo. Estar lá é um privilégio, não um direito.”
Juiz mandou devolver credenciais
A reafirmação da posição do governo ocorre poucos dias depois de uma derrota de Trump na Justiça.
Após ouvir os dois lados do processo apresentado por CNN, MS NOW e Politico, o juiz federal Timothy Kelly determinou que as credenciais dos jornalistas fossem restabelecidas imediatamente por 14 dias, enquanto a ação continua.
Kelly também questionou a justificativa de “segurança nacional” apresentada pelo governo.
Segundo o juiz, havia pouco respaldo nos autos para relacionar a retirada dos crachás a riscos de segurança, e Trump havia anunciado originalmente a medida criticando o conteúdo da cobertura dos veículos.
Mesmo assim, na manhã seguinte à ordem, jornalistas continuaram sendo impedidos de entrar na Casa Branca. Os três veículos voltaram à Justiça e afirmaram que a decisão estava sendo descumprida.
Kelly deu prazo ao governo para responder à reclamação. Horas depois, CNN, MS NOW e Politico voltaram a ter acesso ao complexo presidencial.
Blanche mantém argumento de segurança nacional
Na entrevista de domingo, Blanche manteve justamente a tese de segurança nacional questionada pelo juiz. Segundo ele, informações incorretas divulgadas por veículos de comunicação podem afetar as relações dos Estados Unidos com aliados e adversários.
Raddatz perguntou ao procurador-geral se ele poderia citar um caso específico que sustentasse a acusação. Blanche voltou a criticar a cobertura da CNN e de outros veículos, mas não apresentou um exemplo concreto.
Ele também defendeu a decisão da Casa Branca de impedir a CNN de integrar o pool de televisão no Air Force One, embora a emissora estivesse escalada para a viagem presidencial. Segundo Blanche, o presidente tem o direito de determinar quem viaja no avião.
Trump manda repórter readmitida “ficar quieta”
O conflito continuou depois da restituição das credenciais. No sábado (26), Trump discutiu com Akayla Gardner, correspondente da MS NOW na Casa Branca e uma das jornalistas atingidas pelo veto.
Gardner perguntou ao presidente se ele queria apenas veículos que o apoiassem no pool de imprensa. Trump respondeu que queria “notícias de verdade, não fake news como vocês” e voltou a atacar a MS NOW e a CNN.
Quando a jornalista perguntou se ele não queria responder a perguntas difíceis, Trump levantou o dedo e respondeu: “Espera, espera. Quieta”.
Leia também | ‘Fique quieta’: Trump repreende repórter readmitida na Casa Branca após ordem judicial por pergunta sobre vetos a jornalistas






