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Google derrotado; Meta, Apple e Amazon no banco dos réus: o que as ações dos EUA contra Big Techs significam para os usuários?

Fachada de prédio do Google, condenado em processo movido pelo governo dos EUA

Foto: Unsplash




A Big Tech Google acaba de sofrer mais um golpe judicial nos EUA, perdendo uma ação antitruste histórica  depois de ter saído derrotada em um processo judicial semelhante no ano passado.

A gigante das redes sociais Meta também enfrenta atualmente uma batalha legal histórica nos EUA. O resultado pode mudar não só a forma como ela funciona, mas também a forma como milhões de pessoas em todo o mundo se comunicam.

As audiências do processo contra a Meta começaram no início desta semana em um tribunal em Washington, depois que o CEO da empresa, Mark Zuckerberg não conseguiu fechar um acordo de US$ 450 milhões para por fim à disputa.

Movido pela Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), o processo alega que a Meta violou as leis antitruste e garantiu ilegalmente o monopólio das plataformas de mídia social.

Asim como o Google e a Meta, a Amazon e a Apple também estão enfrentando questionamentos legais antitruste significativos nos EUA.

Todas essas ações judiciais continuam a tramitar, apesar das grandes mudanças na FTC (Federal Trade Commission) e no Departamento de Justiça dos EUA como resultado da eleição de Donald Trump.

De forma mais ampla, esses processos representam um impulso significativo para o avanço de regulamentações destinadas a examinar e potencialmente restringir o poder de mercado das Big Techs.

Mas o que são exatamente esses processos? Quais são os próximos passos em cada um deles? E o que eles podem significar para os usuários?

Os processos dos EUA contra o Google

O processo que o Google acabou de perder estava relacionado à publicidade online.

O Departamento de Justiça dos EUA alegou   que o Google se comportou de forma anticompetitiva para monopolizar o complexo mercado de publicidade digital. Este mercado administra a compra e venda de anúncios online.

A juíza distrital dos EUA Leonie Brinkema entendeu que o Google detém o monopólio das ferramentas usadas pelos editores online para hospedar espaço publicitário, e também do software que facilita as transações entre editores online e anunciantes.

Na decisão, Brinkema afirmou que o Google se engajou deliberadamente em uma série de atos anticompetitivos “que resultaram na obtenção de poder de monopólio no mercado de servidores de anúncios da editora de web aberta”.

O Google disse recorrerá da decisão. O Departamento de Justiça pedirá ao tribunal que exija que o Google  desinvista partes de seu negócio de venda de anúncios quando a fase de determinação de medidas corretivas começar, no fim deste mês.

Segundo processo: buscas no iPhone

O segundo processo envolvendo o Google está relacionado ao mecanismo de buscas na internet.

O Departamento de Justiça argumentou que o Google usou acordos de exclusão, como o pagamento anual de bilhões pela Apple para ser o mecanismo de busca padrão em iPhones, com o objetivo de bloquear concorrentes.

Em agosto de 2024, um juiz federal decidiu que  o Google agiu ilegalmente para manter seu monopólio de busca.

O processo passou agora para a fase de medidas corretivas. Um julgamento de ações a serem implementadas está programado para começar na próxima semana.

O tribunal ouvirá argumentos sobre quais ações devem ser adotadas contra o Google. As medidas podem ser significativas. No passado, reguladores sugeriram ações como restrições ao sistema operacional Android do Google ou até mesmo a obrigatoriedade de venda do seu navegador Chrome.

O Google também declarou sua intenção apelar desta decisão. 

O processo dos EUA contra outra Big Tech, a Meta

O processo da FTC contra a Meta acusa a gigante da tecnologia de ter mantido ilegalmente o monopólio no mercado de “serviços de redes sociais pessoais”.

O principal argumento  é que a Meta empregou uma estratégia “buy-or-bury” (comprar ou sepultar, em tradução livre) para eliminar ameaças competitivas.

Isso supostamente envolveu a aquisição de rivais emergentes, principalmente o Instagram em 2012 e o WhatsApp em 2014, com o claro objetivo de neutralizá-los antes que pudessem desafiar o domínio do Facebook.

A FTC aponta as comunicações internas como prova de intenção anticompetitiva. Elas incluem uma declaração importante de Mark Zuckerberg,

“É melhor comprar do que competir”.

Há ainda  um memorando interno comprovando que Zuckerberg considerou desmembrar o Instagram em 2018 devido a preocupações com o escrutínio antitruste.

A comissão argumenta que as ações da Meta sufocaram a inovação e prejudicaram os consumidores, limitando suas escolhas. O processo tem como objetivo forçar a Meta a desinvestir ou vender tanto o Instagram quanto o WhatsApp.

A Meta defende vigorosamente sua conduta. A empresa argumenta que não detém monopólio, enfrentando uma concorrência feroz de plataformas como TikTok, YouTube e X (anteriormente Twitter).

Ela afirma que as aquisições do Instagram e do WhatsApp foram pró-competitivas, permitindo à Meta investir bilhões para melhorar e dimensionar os aplicativos, beneficiando em última análise os usuários.

Um argumento chave da defesa  é que a própria FTC revisou e aprovou os dois os acordos de compra há mais de uma década. O julgamento deverá durar oito semanas.

Os processos dos EUA contra a Apple e a Amazon

Em março de 2024, o Departamento de Justiça dos EUA, juntamente com vários estados, processou a Apple, alegando que ela mantém ilegalmente o monopólio no mercado de smartphones.

O processo afirma que a Apple usa seu controle sobre o ecossistema do iPhone para sufocar a concorrência e a inovação, por exemplo, degradando a qualidade das mensagens entre iPhones e dispositivos Android e limitando a funcionalidade de carteiras digitais e smartwatches de terceiros.

A Apple protocolou uma moção para rejeitar o caso em agosto de 2024. O litígio está em seus estágios iniciais e deverá continuar por vários anos.

Em setembro de 2023, a FTC, acompanhada por vários estados, também processou a Amazon.

O processo alega que a gigante da tecnologia mantém ilegalmente o poder de monopólio em ambos os mercados de “superlojas online” (onde os consumidores compram) e “serviços de mercado online” (para vendedores terceirizados).

A FTC afirma que a Amazon usa táticas anticompetitivas interligadas. Isso inclui punir os vendedores por oferecer preços mais baixos em outros lugares, coagir os vendedores a usarem seus serviços, degradar os resultados da pesquisa com anúncios excessivos e cobrar taxas exorbitantes do vendedor.

No final de 2024, o juiz responsável pelo caso negou grande parte das tentativas da Amazon  rejeitar as principais reivindicações federais, permitindo que o caso prossiga.

O  julgamento está atualmente agendado para outubro de 2026.

Grandes mudanças estruturais poderão ocorrer

Vistos em conjunto, estes processos representam o impulso antitruste mais significativo contra as principais Big Techs nos EUA em décadas.

Eles sinalizam um reexame fundamental de como as leis de concorrência se aplicam a plataformas e ecossistemas digitais em rápida evolução.

Os resultados poderão potencialmente levar a grandes mudanças estruturais. Estas mudanças podem incluir a dissolução forçada de empresas como a Meta, ou soluções comportamentais significativas que restrinjam a forma como elas operam.

Independentemente dos resultados específicos, as decisões nestes processos provavelmente estabelecerão precedentes jurídicos cruciais.

Por sua vez, eles moldarão profundamente o futuro cenário competitivo da tecnologia. Provavelmente também influenciarão a regulamentação em nível mundial e terão impacto na inovação e no investimento em toda a economia digital.

O que os processos não refletem ainda é a mudança na independência dos órgãos reguladores nos EUA, onde a consistência com a política da Casa Branca está agora primordial.

Os resultados certamente testarão a relação entre Trump e seus “tech bros” que  literalmente têm estado ao seu lado recentemente. 


Este artigo foi publicado originalmente no portal acadêmico The Conversation e é republicado aqui sob licença Creative Commons. 

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