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Regulamentação

Premiê britânico dá 3 meses para big techs bloquearem nudez e sexo em celulares de crianças

Em discurso na London Tech Week, Keir Starmer disse que ‘a segurança das crianças não é negociável’

Primeiro-ministro britânico Keir Starmer em discurso na London Tech Week

Keir Starmer em discurso na London Tech Week (foto: divulgação)




O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, elevou hoje a pressão sobre as grandes empresas de tecnologia e deu prazo de três meses para que as big techs apresentem soluções capazes de impedir que crianças enviem, recebam ou acessem imagens de nudez e sexualmente explícitas em seus próprios celulares.

A cobrança foi feita nesta segunda-feira (8) durante um discurso na London Tech Week, em Londres, diante de uma plateia formada por executivos do setor, investidores e especialistas em tecnologia. Em tom direto, Starmer disse:

“A tecnologia deve se adaptar às necessidades da sociedade, não o contrário.”

O premiê, que tem dois filhos adolescentes, afirmou que o governo britânico não aceitará que a exposição de menores a esse tipo de conteúdo seja tratada como uma consequência inevitável da vida digital.

“Não podemos aceitar que crianças possam enviar ou receber imagens sexualmente explícitas nos seus próprios telefones.”

Governo cobra ação das big techs

A pressão no Reino Unido recai não apenas sobre as redes sociais, mas também sobre empresas responsáveis por dispositivos e sistemas operacionais.

A expectativa do governo é que companhias como Apple, Google e outras big techs desenvolvam controles capazes de bloquear esse tipo de conteúdo quando o usuário for identificado como criança.

Ao cobrar respostas técnicas da indústria, Starmer relacionou a responsabilidade das empresas ao próprio avanço tecnológico que elas lideram.

“Não é possível acreditar que empresas capazes de desenvolver inteligência artificial avançada não consigam resolver um problema tão básico de segurança infantil.”

Prazo de três meses pode virar lei

O primeiro-ministro deixou claro que o prazo dado às empresas não é apenas simbólico.

“As empresas têm três meses para agir. Se não o fizerem, nós legislaremos.”

A fala sinaliza que o Reino Unido poderá transformar a exigência em lei caso as big techs não apresentem respostas consideradas suficientes. Isso pode incluir novas obrigações técnicas, multas e regras mais duras para fabricantes e plataformas.

“Não aceitarei desculpas sobre por que isso seria impossível.”

Proteção de crianças online entra no centro da agenda

O governo britânico avalia medidas mais amplas para reduzir a exposição de menores a riscos digitais, incluindo restrições de idade mais rígidas para determinados serviços online.

Segundo Starmer, “o governo está preparado para tomar decisões difíceis para proteger as crianças.”

Em outro momento do discurso, ele reforçou a prioridade política do tema ao afirmar que “A segurança das crianças não é negociável.”

Consulta pública prepara novas medidas

A pressão ocorre após o encerramento de uma consulta pública nacional sobre segurança online, que reuniu contribuições de especialistas, organizações de proteção infantil, empresas de tecnologia e famílias.

Para Starmer, “A consulta pública deixou claro que as famílias esperam ação imediata.”

Com a consulta encerrada, o governo britânico agora prepara o anúncio das próximas medidas, que podem incluir possíveis restrições de idade.

“Se a indústria não apresentar soluções, o Parlamento apresentará.”

Fontes do governo anteciparam à mídia britânica que as medidas restritivas serão anunciadas nesta segunda-feira.

Inovação sem negligenciar a proteção infantil

Ao mesmo tempo, diante de uma plateia formada por empresários e investidores, muitos preocupados com o atraso do país na corrida tecnológica, o premiê procurou afastar a ideia de que a regulação seria um obstáculo ao desenvolvimento.

Segundo ele, “a inovação não pode ser uma desculpa para negligenciar a proteção infantil.”

A regulação de big techs é um assunto sensível dentro e fora do país, com riscos de novos atritos com o governo dos EUA.

Donald Trump e integrantes de sua administração criticam abertamente a imposição de regras para as big techs americanas.


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