Diante de uma Copa do Mundo marcada por polêmicas antes mesmo de começar, uma ONG britânica lançou uma campanha para organizar uma denúncia em massa contra Gianni Infantino, presidente da Fifa.
Com o nome “Reboot Fifa”, a ação coletiva organizada pela FairSquare promete ser a “maior denúncia individual já recebida pela Fifa sobre a conduta de seus altos dirigentes”.
Ela foca em Infantino, mais precisamente na relação dele com Donald Trump, mas também pede mudanças profundas no funcionamento da organização futebolística.
Nesta quarta-feira (10), véspera da abertura do torneio, o dirigente reagiu a criticas durante uma entrevista coletiva pedindo “calma, relaxem”, e afirmando que nem tudo pode ser controlado.
Mas nem todos concordam com a ideia. Os organizadores da “Reboot Fifa” afirmam que presidente da organização cometeu abuso de poder e alegam que a Fifa “contraria os interesses comuns da comunidade global do futebol”.
A reclamação é aberta para todos os países e recebe assinaturas pela internet. Em pouco mais de uma semana, 6,3 mil assinaturas foram coletadas.
O grupo também mantém uma página atualizada com todas as supostas violações cometidas pelo presidente da Fifa no último ano.
Prêmio da paz e proximidade com Trump
https://www.youtube.com/watch?v=eIMGvFreMXU
Um dos principais pontos da denúncia coletiva contra o presidente da Fifa afirma que ele violou o artigo 15 do Código de Ética da federação. Este código exige que funcionários e dirigentes da Fifa sejam politicamete neutros.
De acordo com a denúncia, a aproximação de Infantino do presidente dos EUA, Donald Trump, é um dos sinais de violação deste artigo.
No ano passado, Infantino concedeu um prêmio da paz ao americano, supostamente, sem consultar o Conselho da Fifa. A premiação inédita aconteceu pouco antes dos EUA iniciarem bombardeios contra o Irã, país que, inclusive, está entre os selecionados para a Copa do Mundo.
“Este é o seu prêmio da paz. Também há esta medalha, que você pode usar em qualquer lugar que você queira ir”, disse Infantino a Trump.
A cena constrangedora virou alvo de piada nas redes sociais. Enquanto alguns afirmavam que o vídeo era uma montagem de IA, outros acusavam a Fifa de tratar Trump como uma criança.
O FairSquare citou outros três momentos em que a proximidade dos dois violou a neutralidade de Infantino. A participação do presidente da Fifa na Cúpula da Paz criada por Trump seria outro deles. O evento, em 19 de fevereiro deste ano, acabou com o presidente da Fifa usando um boné do Make America Great Again.
Maior transparência na Fifa
Além de denunciar o que classificam como má gestão de Infantino, a ONG quer criar uma pressão política para pedir mudanças na Fifa.
Entre essas mudanças estão a maior transparência na prestação de contas e de assuntos internos, a auditoria de bilhões de dólares recebidos nos últimos anos e a separação das operações comerciais e de governança do órgão.
De acordo com a FairSquare, a Federação Norueguesa de Futebol apoiou a denúncia e a expectativa é de que o documento seja apresentado ao Comitê de Ética da Fifa após a Copa do Mundo.
Além disso, a organização da campanha contra o presidente da Fifa também vai entregar a denúncia a legisladores de alguns países.
A FairSquare não informou quais países receberão as denúncias, mas disse que focará em países com “poder real de impor reformas estruturais à organização”.
Infantino e Fifa negam acusações
Infantino tem defendido que manter uma boa relação com o presidente de um país anfitrião da Copa do Mundo é “absolutamente crucial”.
Ao comentar a entrega do Prêmio da Paz para o republicano, ele afirmou que Trump era merecedor, por ter “papel fundamental na resolução de conflitos”.
Já ao comentar sobre os pedidos de transparência financeira, a Fifa afirmou que seus destinatários de fundos passam por “auditorias rigorosas e independentes”. O órgão disse, ainda, que tem relatórios financeiros qualificados e já repassou bilhões de dólares no investimento para desenvolver o futebol no mundo.
É importante lembrar que a Fifa foi alvo do maior escândalo de corrupção da história do futebol, com 14 acusados e sete presos por suspeita de receber US$ 150 milhões em suborno.
Copa marcada por polêmicas
A Copa do Mundo de 2026 acontece em três países: México, Canadá e Estados unidos. Antes mesmo de começar, o evento foi alvo de diversas críticas, principalmente no que diz respeito aos EUA.
Nas semanas que antecederam os jogos, organizações denunciaram preços abusivos nos ingressos – algo defendido pelo presidente da Fifa – e até mesmo a falta de acessibilidade para alguns estádios, cujo acesso a pé é desaconselhado por riscos à segurança.
No MetLife Stadium, em Nova Jersey, onde o Brasil estreia no sábado, por exemplo, e só é possível chegar pagando US$ 98 de passagem de trem ou estacionamentos caros nas redondezas.
As entrevistas longas de imigração para algumas delegações e a deportação de Artan Faria, que seria o primeiro árbitro somali da história a apitar uma copa, também foram tópicos polêmicos desta semana.
Além disso, a estadia dos atletas do Irã, aquele que talvez seja o tema mais sensível, também foi polêmico até as vésperas da competição.
Com base no México, os atletas do país do Oriente Médio só ganharam direito a passar 36 horas em solo americano quando forem jogar nos EUA.
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